
O médico Marcelo Messender, de 48 anos, teve a energia do andar cortada pela administração de seu condomínio após discursar contra a fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo a Folha de S.Paulo. Morador da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, ele usou uma bateria de lítio para manter o microfone e a caixa de som funcionando e continuar as críticas ao senador.
A manifestação ocorreu na noite de terça-feira (27), quando circulavam notícias sobre a saída do candidato derrotado do Brasil. Da cobertura onde mora, o oftalmologista chamou Flávio de “covarde” e “pusilânime”. Também criticou Jair Bolsonaro pela condução da pandemia de Covid-19.
O discurso provocou aplausos e reações hostis. De acordo com a reportagem, um morador o ameaçou por mensagem e um grupo tentou entrar no condomínio. A Polícia Militar foi acionada, mas os agentes não entraram no prédio. A Folha procurou a administração por telefone e não obteve resposta.
Mesmo após o corte de energia, Messender continuou com o equipamento alimentado pela bateria e encerrou a manifestação às 21h59. Ao dar boa-noite aos vizinhos, disse que respeitaria o horário de silêncio. A nutricionista e jornalista Karine Barbosa, que mora em outro edifício, gravou as cenas.
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“Posso ter incomodado, passado um pouco. Mas todo mundo estava muito mais incomodado com a ideia de vivenciar uma ditadura. Flávio nunca foi uma pessoa democrática”, afirmou o médico à Folha. Ele disse que sua oposição à família Bolsonaro se aprofundou durante a pandemia, quando trabalhou na linha de frente em hospitais do Rio e de São Paulo.
Messender também havia se manifestado no sábado (24), véspera do segundo turno, quando tocou jingles de Lula e músicas de provocação a Flávio. Pelos dois episódios, recebeu duas multas de R$ 400. “Vou pagar sem problemas, estou tratando como uma taxa pelo direito de exercer a individualidade”, declarou.
A crítica à fuga foi acompanhada de uma cobrança sobre a palavra do senador. “Ele disse que não sairia do país e foi embora. É atitude de uma pessoa que não poderia concorrer ao cargo de presidente”, disse Messender. Flávio desembarcou em Miami com a família na quarta-feira (28), após deixar o Brasil sem entregar os passaportes exigidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.