
A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, sua tentativa de desacreditar a eleição vencida por Lula (PT) e a proteção oferecida pelo governo Donald Trump ganharam destaque na imprensa estadunidense. Em editorial na CNN, a jornalista Erin Burnett apresentou o brasileiro como “um aliado de Trump, um homem em fuga por medo de ser preso” e destacou a intervenção da Casa Branca para permitir sua entrada no país.
“Por trás daquele guarda-chuva está o candidato derrotado à Presidência do Brasil, que recebeu proteção contra a Justiça por parte do presidente Trump”, afirmou Burnett ao exibir imagens da chegada de Flávio ao aeroporto executivo de Opa-locka, na Flórida. O senador desembarcou acompanhado da mulher e das filhas após deixar o Brasil por terra, atravessar a Argentina e fazer escala no Equador.
Trump confirmou pessoalmente que seu governo autorizou a entrada da família. Questionado por jornalistas, disse: “Sei que demos a ele uma autorização para entrar no país, então vamos ver”. Ao ser perguntado sobre o motivo, respondeu que os Bolsonaro haviam sido tratados “muito injustamente”.
A proteção ganhou repercussão porque Flávio deixou o Brasil, apesar de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinava a entrega de seus passaportes e o proibia de sair do país. Ele é investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas, entre outros pontos, ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades.
Erin Burnett on Trump’s decision to give Bolsonaro “a pass” to stay in the U.S. amid fears of being arrested in Brazil following his election defeat. https://t.co/PU1g8QQDiL
— Erin Burnett OutFront (@OutFrontCNN) October 29, 2026
Já nos Estados Unidos, o senador divulgou uma carta em que passou a repetir, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição. “Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”, escreveu. Inicialmente, chegou a se apresentar como “presidente eleito”, mas depois alterou o texto para se definir como “líder do Brasil”. O resultado que reelegeu Lula por cerca de 4,4 milhões de votos foi reconhecido pelo TSE, por observadores internacionais e pelo próprio PL.
Burnett relacionou diretamente a estratégia ao discurso usado por Trump após derrotas eleitorais. “Fraude eleitoral. Agora vocês começam a perceber a ligação, certo? Essa declaração foi tirada diretamente da cartilha de Trump”, afirmou a jornalista. Trump também colocou em dúvida a votação brasileira sem apresentar evidências.
A apresentadora lembrou ainda que Jair Bolsonaro, pai de Flávio, foi condenado a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe após sua derrota em 2022 e atualmente cumpre pena em regime domiciliar.