
A Polícia Federal investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Os dois constam como investigados em um inquérito criminal que tramita sob sigilo na Justiça Federal do Paraná.
A 9ª Vara Federal de Curitiba autuou o procedimento em 10 de fevereiro. A PF no Paraná conduz a investigação com participação do Ministério Público Federal, e o processo registra diligências e petições ao longo do ano.
Guedes atuou na linha de frente da OnilX, empresa que recebeu recursos de investidores para aplicações em criptomoedas com promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês. O ex-ministro prestou consultoria à companhia, participou de reuniões estratégicas e conversou reservadamente com potenciais investidores.
A empresa também usou a imagem de Guedes em materiais de divulgação. Em publicação da própria OnilX, ele apareceu ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa em uma reunião descrita como de “alta relevância estratégica”, na qual a companhia afirmou que o ex-ministro oferecia “suporte e visão” ao negócio.

Investidores relataram dificuldades para resgatar recursos da OnilX
Em processos contra o grupo, investidores citaram a presença de Guedes como um fator para manter ou ampliar aplicações. Um casal que cobra R$ 876,5 mil afirmou ter aumentado os investimentos após uma reunião com o ex-ministro na sede da empresa, em abril, e relatou que não conseguiu resgatar os valores quatro meses depois.
Outro processo inclui uma mensagem de uma assessora da OnilX a um potencial cliente. Ela disse que Guedes “tá dentro da empresa” e afirmou que poderia marcar uma reunião com ele para discutir estratégias caso o interessado aplicasse entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões.
A Comissão de Valores Mobiliários determinou, em janeiro, a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, o colegiado manteve a medida, mas esclareceu que ela não atingia a simples intermediação de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, sem promessa de rendimento ou contrato de investimento.
Entre 12 de junho e 10 de setembro, foram identificadas 108 ações judiciais contra o grupo, com relatos de obstáculos para sacar recursos ligados a criptomoedas e stablecoins. A OnilX nega irregularidades e diz atuar regularmente no mercado de ativos virtuais; os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso representam Guedes e Fábio Lino no inquérito e não responderam aos contatos.