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O plano do PT para isolar Flávio Bolsonaro após carta golpista

Flávio Bolsonaro desce escada de avião nos Estados Unidos
Flávio Bolsonaro desce a escada de um avião, enquanto uma mulher segura a lateral da porta. Foto: Reprodução

A direção nacional do PT articulou uma reação de partidos de centro e direita à carta golpista divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na quarta (28), na qual ele levantou suspeitas sem provas sobre a eleição presidencial. Integrantes da sigla procuraram dirigentes de União Brasil, PSD e MDB para pedir manifestações públicas em defesa do resultado das urnas e da vitória de Lula. A informação é da Folha de S.Paulo.

A iniciativa buscou isolar politicamente Flávio após sua chegada aos Estados Unidos. Na primeira versão da carta publicada no X, o senador se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”; depois, alterou o texto e passou a se definir como “líder do Brasil”.

Antonio Rueda, presidente do União Brasil, declarou que a democracia é “um valor inegociável” e depende do compromisso de todos com o resultado das urnas. Em nota, ele afirmou que a eleição “transcorreu com lisura”.

O PSD reafirmou o compromisso com a democracia e voltou a parabenizar Lula pela vitória, posição que já havia adotado na segunda (26). O MDB declarou ter “total confiança no sistema eleitoral brasileiro” e reconheceu a “legitimidade do resultado do pleito do último domingo”.

Antonio Rueda e Gilberto Kassab, presidentes do União Brasil e do PSD. Foto: Reprodução

PL não divulgou nota, e coordenador diz não haver provas de fraude

Dirigentes petistas também procuraram as cúpulas de Republicanos e Missão, além de fazer contato com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O partido de Flávio não divulgou manifestação formal naquele dia.

O coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que nem ele nem o partido podem dizer que houve fraude eleitoral porque “não há provas nesse sentido”. Flávio, porém, manteve na carta alegações sem provas contra o resultado da disputa.

O senador desembarcou em Miami na manhã de quarta-feira (28), após sair do Brasil pela fronteira com a Argentina e embarcar em um avião particular que fez escala no Equador. A viagem ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega de seus passaportes em uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro; Flávio nega irregularidades.

Lula venceu Flávio por 4,43 milhões de votos no domingo. O senador contesta a extensão da votação por duas horas, determinada pelo ministro Cristiano Zanin e posteriormente referendada pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, embora apenas 34 mil votos, ou 0,03% do total, tenham sido registrados após as 17h.