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“Flávio fugiu para não enfrentar a Justiça”: coligação de Lula diz que não aceitará interferência estrangeira

Flávio Bolsonaro desembarca de avião em aeroporto de Miami
Flávio Bolsonaro desembarca de avião no Aeroporto Executivo de Opa-Locka, em Miami. Foto: Reprodução

A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (29) que o Brasil não aceitará interferência estrangeira no processo eleitoral democrático. Em nota, os partidos aliados também criticaram a ida de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas, aos Estados Unidos.

PT, PC do B, PV, PDT, PSB, PSOL e Rede, reunidos na coligação Brasil Pronto Pra Mais, declararam que Flávio Bolsonaro “fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça brasileira”. O grupo vinculou a viagem do senador à contestação do resultado eleitoral.

“Não por acaso, o candidato derrotado buscou abrigo justamente junto a Trump, que atuou abertamente para interferir em nossas eleições”, escreveram os partidos. Flávio Bolsonaro divulgou uma carta após chegar aos Estados Unidos e inicialmente se autodeclarou presidente do Brasil.

Em seguida, ele corrigiu a declaração e passou a se apresentar como líder da oposição. A confirmação de sua ida aos Estados Unidos ocorreu na quarta-feira (28).

Trump evita comentar crise após eleição brasileira

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não pretende se envolver na situação política brasileira. “Não vou fazer comentários sobre isso”, declarou.

Trump acrescentou que não se envolveria, mas classificou o pleito como “uma eleição muito estranha, com certeza”. A coligação de Lula citou a atuação do norte-americano ao repudiar qualquer influência externa sobre o resultado das urnas.

Na nota, os partidos afirmaram que a contestação eleitoral não se sustenta. A coligação lembrou que o PL pediu o adiamento do encerramento da votação das 17h para as 19h diante de restrições no transporte público e de chuvas fortes.

O grupo declarou que o Tribunal Superior Eleitoral, os partidos políticos — inclusive o PL — e observadores internacionais independentes reconheceram a legalidade da eleição. “A soberania popular se manifestou através do voto livre e universal”, afirmaram os partidos.

Leia a nota na íntegra:

“O Brasil não aceita interferência estrangeira em seu processo democrático. O candidato derrotado nas eleições fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça brasileira. Não por acaso, o candidato derrotado buscou abrigo justamente junto a Trump, que atuou abertamente para interferir em nossas eleições.

A contestação do resultado não se sustenta. A prorrogação do horário de votação foi pedida pelas duas campanhas, PT e PL, por restrição em transportes públicos e chuvas fortes, e concedida de forma isonômica a todo o país. Nesse período foram registrados apenas 33.866 votos para presidente, 0,026% do total, enquanto a diferença entre os candidatos foi de mais de 4,4 milhões.

O resultado foi reconhecido pelo presidente do TSE, indicado por Bolsonaro, como “as eleições mais inclusivas da história da República brasileira” e que “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade”.

Além do Tribunal Superior Eleitoral, todos os partidos políticos, inclusive o PL, e os observadores internacionais independentes igualmente atestaram a legalidade das eleições.

A soberania popular se manifestou através do voto livre e universal, após dois turnos, com a eleição incontestável dos representantes do povo para Câmara dos Deputados, Senado Federal, Assembleias Legislativas e Distrital, além dos Governadores e Presidente da República.

Não é a primeira vez que a família Bolsonaro se recusa a aceitar a vontade das urnas. Em 2022, Jair Bolsonaro tramou uma tentativa de golpe de Estado, que incluía o plano de assassinar o presidente e o vice-presidente eleitos. A democracia resistiu, e ele e os militares envolvidos foram condenados e estão presos.

O Brasil não é quintal de ninguém, e a vontade soberana do povo brasileiro será respeitada.”