
Emissários ligados ao Departamento de Estado dos Estados Unidos pediram que Flávio Bolsonaro retirasse a expressão “presidente eleito do Brasil” de uma carta divulgada em Washington e adotasse “líder do Brasil”, segundo a coluna de Mariana Sanches no UOL. A mudança ocorreu cerca de 40 minutos após a primeira versão circular nas redes sociais.
A avaliação entre diplomatas americanos era que tratar Flávio como presidente eleito poderia comprometer os interesses diplomáticos de Washington e afetar as relações com o governo brasileiro. Três fontes ligadas à diplomacia dos EUA e um interlocutor estrangeiro confirmaram a atuação de representantes americanos.
Questionado sobre a declaração de Flávio, o presidente Donald Trump evitou comentar diretamente a carta. “Não vou fazer comentário sobre isso, mas eu sei que demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas eu não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, disse.
Um embaixador americano afirmou que a concessão de entrada no país por razões de asilo ou segurança não equivale ao reconhecimento de Flávio como chefe de Estado. “Muito diferente é passar a tratar como presidente eleito, porque isso forçaria a não ter relações com o governo do Brasil”, declarou.

Departamento de Estado manteve silêncio sobre a carta
O Departamento de Estado não comentou oficialmente o conteúdo da carta. O órgão havia informado que concederia vistos a Flávio e à família, enquanto um funcionário afirmou que a medida buscava garantir a segurança e a integridade física de um aliado político na região.
Paulo Figueiredo, comentarista político aliado dos bolsonaristas, negou que autoridades americanas tenham determinado a alteração. Ele disse que diferentes versões circularam durante a elaboração do texto e atribuiu o desfecho ao uso de inteligência artificial: “Coisas de IA”.
Um aliado americano próximo ao trumpismo disse que o secretário de Estado, Marco Rubio, chegou a ver ao menos uma versão da carta. Figueiredo contestou essa informação e afirmou que não houve interferência da Casa Branca na redação divulgada por Flávio.
A preocupação americana também envolve a manutenção da relação bilateral com o governo Lula. Washington mantém a indicação de Danny Perez para a embaixada dos EUA no Brasil, mas ainda não reconheceu formalmente a reeleição do petista, enquanto diplomatas buscam evitar uma crise semelhante à criada pelo reconhecimento de Juan Guaidó como presidente da Venezuela.