
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) atribuíram ao ChatGPT os erros e as mudanças identificadas em versões de uma carta golpista divulgada pelo parlamentar após sua ida aos Estados Unidos. O jornalista Paulo Figueiredo afirmou que Eduardo Bolsonaro recorreu à ferramenta de inteligência artificial para inserir o brasão brasileiro no documento.
Na primeira versão, a carta trazia o brasão usado até 1967, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”. A grafia com “z” aparece no idioma inglês e não corresponde à denominação oficial atual do país.
Figueiredo tratou o episódio com ironia ao comentar a escolha do emblema pela inteligência artificial. “Nós achamos muito engraçado”, disse o jornalista, aliado de Flávio e de Eduardo Bolsonaro.
Ele também culpou a ferramenta pela presença de um trecho em que Flávio se apresentava como “presidente eleito do Brasil”. Figueiredo disse que existiu uma versão com essa redação, mas afirmou que a carta passou por alterações de mais de uma pessoa.
Sobre as diferentes versões da carta do @FlavioBolsonaro publicada ontem: tenho visto teorias da conspiração mirabolantes, algumas até engraçadas. Como a explicação é bem mais banal, achei por bem esclarecer.
Primeiro, o brasão antigo. Com as primeiras versões do texto…
— Paulo Figueiredo (8) (@pfigueiredo08) October 29, 2026
Brasão e autodefinição mudaram nas versões divulgadas
Na versão posterior enviada à imprensa, o documento passou a usar o brasão com a inscrição “República Federativa do Brasil”. Em outro texto compartilhado pelo próprio Flávio, ele deixou de se autoproclamar eleito e se definiu como “líder do Brasil”.
Para Figueiredo, a formulação “verdadeiro líder” seria mais adequada por descrever, em sua avaliação, a situação jurídica e carregar “um valor moral”. O jornalista alegou que o ChatGPT teria recuperado uma redação anterior ao inserir a autoproclamação no texto divulgado.
Flávio chegou à Flórida na manhã de quarta (28), depois de deixar o Brasil pela Argentina e fazer escala em Guayaquil, no Equador. Aliados haviam anunciado que o senador concederia uma entrevista coletiva nesta quinta (29), mas cancelaram a agenda posteriormente.