
O governo Lula avalia adiar a concessão do aval diplomático a Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Integrantes do Planalto consideram inoportuno autorizar a nomeação enquanto o presidente americano questiona o resultado da eleição brasileira. As informações são da CNN Brasil.
A possibilidade em discussão é aguardar os desdobramentos da saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil antes de avançar na análise da indicação. O governo brasileiro também acompanha os próximos passos da Casa Branca e pretende observar a estratégia de Trump após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Trump tem colocado em dúvida, sem apresentar provas, o resultado da eleição presidencial vencida por Lula. Diante das declarações, o governo brasileiro optou por não reagir oficialmente, postura adotada também em relação às suspeitas de eventual participação americana na saída de Flávio do país.

A autorização para que um diplomata estrangeiro assuma uma embaixada é conhecida como agrément. No Brasil, o pedido é analisado pelo Itamaraty em procedimento sigiloso. Antes do segundo turno, integrantes do governo haviam sido informados de que não foram identificados obstáculos à indicação de Perez.
Trump anunciou a escolha de Perez em junho, e o Senado americano aprovou sua indicação em agosto, por 51 votos a 47. A divulgação do nome antes da concessão do aval brasileiro, no entanto, provocou desconforto entre diplomatas, já que o procedimento prevê uma consulta reservada ao país que receberá o embaixador.
O Planalto também considera vincular a concessão de um visto de livre trânsito a Perez ao tratamento dispensado pelos Estados Unidos à embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti. Em agosto, o governo Trump revogou o visto de múltiplas entradas da diplomata, sob a justificativa de reciprocidade diante da demora brasileira em autorizar a nomeação do representante americano.