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França veta evento de extrema-direita após atentado racista perto de Paris

Jean-Yves Le Gallou. Foto: Reprodução

As autoridades francesas proibiram uma conferência da direita radical sobre a chamada “remigração” e uma manifestação prevista para Paris, dias após um atentado racista em Trappes, nos arredores da capital, deixar uma pessoa morta e sete feridas. O fórum estava marcado para sábado (31), em Le Plessis-Robinson, e o ato ocorreria no domingo (1º), segundo o Estadão.

O Ministério do Interior apontou risco de perturbação da ordem pública, especialmente depois do ataque em Trappes, ao justificar as duas proibições. Organizações de esquerda e sindicatos também convocaram uma “mobilização antifascista” para a manhã de sábado na cidade a oeste de Paris.

A conferência vetada levava o título “Remigração: vamos abrir o debate” e teria como organizador Jean-Yves Le Gallou, ex-dirigente eleito da Frente Nacional, sigla que passou a se chamar Reunião Nacional. A direita radical usa o termo “remigração” para defender a expulsão em massa de pessoas de origem estrangeira.

Autoridades locais classificaram a iniciativa como baseada em “uma ideologia xenófoba e racista”, sustentada pela ideia de que imigrantes representariam uma ameaça aos países europeus e não deveriam permanecer no continente. O nacionalista radical austríaco Martin Sellner afirmou na quinta-feira (29) que a França também o impediu de entrar no país.

Trappes, nos arredores de Paris
Polícia investiga atentado em Trappes, nos arredores de Paris. Foto: Reprodução

Suspeito escolheu vítimas por aparência, diz promotoria

O ataque que elevou a tensão política ocorreu na semana anterior em Trappes e na vizinha La Verrière. A vítima fatal foi Pengo Bossio Wangi, cidadão francês negro de 26 anos. Quatro pessoas sofreram ferimentos graves, uma delas permanecia em estado crítico, e outras três tiveram ferimentos leves.

Entre os feridos está uma menina de 11 anos. As autoridades afirmaram que o atirador, identificado como Kevin T., de 39 anos, disparou de dentro de um veículo em diferentes pontos de um trajeto de 12 quilômetros e acabou preso menos de 20 minutos após o início dos tiros.

A Promotoria Nacional Antiterrorismo acusou preliminarmente o suspeito de homicídio e tentativa de homicídio ligados a ato terrorista, com o agravante de motivação racial, étnica, nacional, religiosa ou de origem presumida das vítimas. O órgão pediu que a Justiça o mantenha em prisão preventiva.

O promotor Olivier Christen disse que Kevin T. reconheceu a premeditação dos ataques e admitiu ter escolhido pessoas que acreditava serem muçulmanas ou originárias da África Subsaariana e do Norte da África. Ele negou intenção terrorista e declarou que “não se arrependeu”; exames detectaram cannabis, cocaína e medicamentos prescritos em seu sangue.