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Trump ficou isolado após respaldar Flávio Bolsonaro, avalia governo Lula

Donald Trump e Lula na Casa Branca. Foto: Ricardo Stuckert

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que Donald Trump ficou isolado ao se recusar a reconhecer o resultado das eleições presidenciais brasileiras, vencidas por Lula no último domingo (25). Para auxiliares do Planalto, o reconhecimento do pleito por partidos, instituições e lideranças internacionais tira sustentação de questionamentos levantados pelo presidente dos Estados Unidos.

Lula recebeu 64 milhões de votos, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro (PL), segundo os números citados pela gestão federal. O resultado também teve o reconhecimento do Partido Liberal, legenda do candidato derrotado, do Tribunal Superior Eleitoral e do deputado Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio.

Trump voltou a atacar a eleição na quinta-feira (29), quando classificou o pleito como uma “desgraça” e evitou dizer quem considera o presidente legítimo do Brasil. O republicano também afirmou que Lula teria pedido neutralidade dos Estados Unidos na disputa, mas não há pedido de ligação entre os dois presidentes.

Argentina e Israel, aliados de Trump, não parabenizaram Lula nem reconheceram formalmente sua vitória. Javier Milei foi o único chefe de Estado sul-americano que não cumprimentou o presidente reeleito, enquanto dirigentes de direita de outros países da região enviaram mensagens ao petista.

Planalto evita reação diplomática após viagem de Flávio Bolsonaro

O governo orientou ministros e auxiliares a não elevar o tom sobre a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos após a derrota eleitoral. A estratégia é tratar o caso como atribuição da Justiça e da Polícia Federal, sem alimentar o discurso de perseguição política usado pela família Bolsonaro.

Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira (27) e publicou, já em território norte-americano, uma carta em que se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, divulgou outra versão sem o trecho e passou a se definir como “líder do Brasil”, mantendo acusações sem provas de fraude eleitoral e perseguição por integrantes do Judiciário.

Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, confirmou participação na logística da viagem do senador, que passou pela Argentina e pelo Equador antes de chegar a Miami na quarta-feira (28). Trump autorizou a entrada temporária de Flávio nos Estados Unidos, onde ele afirma que pretende conduzir a oposição à distância.

Auxiliares de Lula pretendem esperar as eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para terça-feira (3), antes de avaliar eventuais próximos passos na relação bilateral. Lula e Trump poderão se encontrar na Cúpula de Líderes do G20, prevista para dezembro, nos Estados Unidos.