
O candidato a deputado federal Gabriel Piauhy (Missão) publicou um vídeo em que fingiu apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para recolher materiais de campanha em comitês do PT e do PCdoB, em São Paulo. O diretório estadual petista repudiou a conduta e informou que sua equipe jurídica avalia medidas cabíveis.
Na gravação, divulgada na sexta-feira (23), Piauhy diz que ensinaria seus seguidores a “enganar um bando de petista” e retirar propaganda eleitoral das ruas. Ele afirmou que visitaria várias cidades e que gostaria de distribuir os materiais recebidos.
O candidato entrou em ao menos dois comitês e recolheu panfletos, adesivos e banners de apoio a Lula. Três pessoas que o acompanhavam também foram aos locais em momentos diferentes para buscar mais itens de campanha.
Depois, o grupo levou o material a um imóvel, espalhou os itens sobre uma mesa e comemorou o resultado do que Piauhy chamou de “plano”. O vídeo saiu do ar horas após a publicação, mas já havia sido copiado.
Para quem se deixou seduzir pela cara de bom moço do Renan Santos, isso aqui é o movimento liderado por ele.
Candidato do Missão criando conteúdo com crime eleitoral, tentando sabotar a campanha de Lula https://t.co/z01Dd5FQhV
— Abel Ferreira Comunista! (@AugustodeS62143) October 30, 2026
PT condena ação e avalia resposta jurídica
No fim da gravação, Piauhy incentivou eleitores contrários a Lula a repetirem a ação. “Minha parte eu fiz, quer ajudar nessa batalha? Vá até o comitê mais próximo. […] Inventa alguma coisa, mano. Essa é a nova campanha contra o PT, tire material petista das ruas”, disse.
Em nota, o diretório do PT em São Paulo afirmou que a conduta “celebra a mentira e o desrespeito à disputa democrática”. O partido declarou que a tentativa de enganar pessoas e prejudicar a circulação de materiais eleitorais contraria princípios democráticos e que o jurídico analisa providências.
Piauhy negou ter cometido crime eleitoral e sustentou que o vídeo buscava satirizar críticas da campanha de Lula a Flávio Bolsonaro (PL). “Nenhum crime eleitoral foi cometido, tá? O material não teve a finalidade desvirtuada, isso eu posso te garantir”, afirmou.
O candidato disse que apagou a gravação porque “a sátira pegou mal”. O partido Missão declarou que não participou da ação e que não tinha conhecimento dela; até a publicação da reportagem, não havia representação ou processo eleitoral registrado contra Piauhy.
Ex-filiado ao PL e hoje integrante do Missão, legenda fundada pelo Movimento Brasil Livre (MBL), Piauhy tem quase 300 mil seguidores nas redes sociais. Ele concorreu a uma vaga de deputado federal por São Paulo, recebeu 5.169 votos e não se elegeu.