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Renato Cariani se aproximou de policial para frear investigações, diz MP

O influenciador bolsonarista Renato Cariani. Foto: reprodução

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação do influenciador fitness Renato Cariani por associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. Nas alegações finais, a Promotoria citou mensagens extraídas do celular dele que apontariam conversas com um policial civil sobre um inquérito envolvendo sua empresa química.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sustenta que o policial civil André Dziuba atuou para conter o avanço da investigação anterior, enquanto Cariani acompanhava o caso e buscava informações sobre diligências. O inquérito, que tramitou na 2ª Vara Criminal de Diadema, acabou arquivado em 2023.

Para os promotores, o conteúdo dos aparelhos tem “especial relevância” porque reforçaria a acusação de desvio de produtos químicos e indicaria uma tentativa de preservar o suposto esquema. “Os elementos extraídos de seus dispositivos evidenciam a preocupação concreta de Renato em impedir o avanço das investigações”, afirmou o Gaeco.

Em uma conversa reproduzida nas alegações, o policial teria informado o encerramento do inquérito: “Acabou, meu. É só tomar uma”. Cariani teria respondido: “Obrigado, Dezao! Bora tomar uma então?”. O agente também escreveu que o procedimento havia sido relatado em 19 de janeiro de 2023 e arquivado.

Diálogo entre Cariani e policial. Foto: reprodução

Mensagens tratam de oitiva e encerramento de investigação

As alegações citam diálogos de 2021 nos quais Dziuba trataria da oitiva de Cariani no inquérito ligado a operações atribuídas à AstraZeneca. Em uma das mensagens, o policial teria dito que o escrivão precisava ouvir o empresário, mas que isso ocorreria “ao seu tempo, não tem pressa”.

No ano seguinte, segundo o Ministério Público, Cariani perguntou sobre a possibilidade de encerramento da investigação. Em resposta, o policial afirmou que buscaria identificar veículos ligados à retirada de mercadorias, mas avaliou que “não vamos chegar a lugar algum” e escreveu que orientava o escrivão.

O Gaeco também mencionou um diálogo de setembro de 2022 no qual Dziuba teria dito que elaborou um relatório “induzindo o delegado a não fazer mais nada”, após dificuldades para identificar veículos. A Promotoria afirma que a troca sustenta sua tese de atuação para reduzir o alcance da apuração policial.

Cariani responde ao processo em liberdade. Se a Justiça acolher integralmente o pedido do Ministério Público, a pena calculada pela acusação pode variar de 16 anos e quatro meses a 51 anos e oito meses de prisão, além de multa; o limite legal para cumprimento de pena no Brasil é de 40 anos.

Além de Cariani, o MP pediu a condenação de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes. A acusação aponta Fábio como intermediário no fornecimento de insumos químicos e Rodrigo como responsável por operações financeiras destinadas a dar aparência de legalidade aos recursos.

A defesa de Cariani, representada pelo advogado Aldo Romani Netto, afirmou receber o pedido de condenação “com naturalidade” e declarou que responderá às teses do Ministério Público nas alegações finais defensivas. “Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”, disse o advogado.

O Gaeco pediu a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol Produtos para Laboratórios, e de Andreia Domingues Ferreira, por entender que não há provas suficientes para condená-las. A Anidrol, sediada em Diadema, foi alvo da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023.