
A cúpula do PL tenta convencer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a abandonar as acusações sem provas de fraude na eleição presidencial, segundo o jornal O Globo. Dirigentes da legenda avaliam que a carta em que ele se declarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” aumentou o desgaste do partido depois da derrota para o presidente Lula (PT).
O temor no comando partidário aumentou porque Flávio, que deixou o Brasil e está nos Estados Unidos, prevê dar uma entrevista coletiva na próxima semana. Integrantes do PL receiam que ele repita os questionamentos às urnas ou faça novas declarações que dificultem a estratégia da oposição.
A carta não teve aval da direção do PL e expôs divergências sobre os rumos do partido. A legenda quer reorganizar sua atuação no Congresso e ampliar influência na Câmara e no Senado, enquanto negocia alianças para as disputas pelas presidências das duas Casas.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, detonou publicamente a iniciativa após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. “Ninguém quer ter problema, ninguém aprova essa situação que aconteceu com o Flávio. O Flávio passou por uma situação difícil, compreendemos, mas não aprovamos. Queremos tocar o país para a frente”, afirmou.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29) que ninguém aprova a situação de Flávio Bolsonaro (PL), em referência à fuga para os EUA do candidato derrotado e à carta com teor golpista divulgada por ele em que reitera não aceitar o resultado… pic.twitter.com/yV7jS5XNy4
— Folha de S.Paulo (@folha) October 29, 2026
Dirigentes do PL se afastam da carta de Flávio Bolsonaro
Valdemar também disse que a viagem de Flávio surpreendeu a direção partidária e a família Bolsonaro. “Nem o Bolsonaro sabia, ninguém sabia, eu também não sabia”, declarou o dirigente, ao se referir à decisão do senador de deixar o país.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio, também rejeitou a acusação de fraude. “O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido”, disse.
Marinho afirmou que não participou da elaboração da carta e declarou desconhecer como Flávio pretende conduzir a liderança da oposição a partir dos Estados Unidos. Mesmo assim, o senador preservou o protagonismo político do colega, a quem considera uma das principais lideranças da direita após a eleição.
Flávio divulgou a primeira versão do documento na quarta-feira, depois de deixar o Brasil em meio a uma investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal. No texto inicial, ele alegou fraude na votação e se apresentou como presidente eleito; em uma versão posterior, trocou essa definição por “líder do Brasil”, mas manteve os questionamentos ao resultado eleitoral.