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Bolsonaristas negam apoiar Alcolumbre em troca de indulto ao ex-presidente

Davi Alcolumbre e Jair Bolsonaro. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

A oposição no Senado rejeitou a possibilidade de apoiar a recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à presidência da Casa em troca de um indulto ou de uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Bolsonaristas afirmam que manterão candidaturas próprias para a disputa de 2027 e priorizam o impeachment de ministros do STF, segundo a Folha de S.Paulo.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) são os nomes da oposição para comandar o Senado. O grupo avalia que controlar a presidência da Casa permitiria avançar com pedidos de afastamento de magistrados e ampliar a pressão política sobre o governo Lula (PT).

O deputado e senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) atacou a credibilidade de Alcolumbre. “Está em jogo algo muito maior do que a anistia ou indulto a Bolsonaro. É a democracia do país. O Senado precisa resgatar a harmonia e a independência entre os Poderes”, disse.

Jordy também citou a tramitação de uma proposta de redução de penas para os condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro. “Alcolumbre não tem palavra nem credibilidade. Nossa memória não é curta e lembramos da anistia que virou dosimetria e virou gaveta”, afirmou.

Jair Bolsonaro em prisão domiciliar. Foto: Adriano Machado/Reuters

Bolsonaristas cobram medida concreta antes da eleição do Senado

O senador Jorge Seif (PL-SC) declarou que uma eventual proposta de perdão a Bolsonaro não mudará a posição da oposição. “Óbvio que não. Esse já era o tratado lá atrás. Apoiamos ele em 2024 com essa promessa [de anistia]”, disse.

Integrantes da direita avaliam que Alcolumbre só poderia atrair uma parcela minoritária de votos bolsonaristas se pautasse algum benefício concreto ao ex-presidente antes da eleição. Aliados do atual presidente do Senado consideram essa hipótese remota.

Alcolumbre afirmou a aliados que pretende conversar com Lula para defender um indulto humanitário a Bolsonaro, preso desde agosto de 2025 por participação em uma tentativa de golpe de Estado. Caso o presidente não aceite a ideia, o senador pretende defender uma anistia aprovada pelo Congresso.

A alternativa articulada por Alcolumbre para os condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro previa reduzir penas e recebeu aprovação do Congresso, mas Alexandre de Moraes suspendeu a lei em maio até que o plenário do STF examine sua validade. A bancada do PL se reunirá na quarta-feira (4) para lançar Rogério Marinho à presidência do Senado, enquanto Tereza Cristina também mantém a intenção de concorrer.