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Esquerda faz campanha para promover restaurantes boicotados por bolsonaristas

Chef Bel Coelho sentada na entrada do restaurante Clandestino
Bel Coelho sentada na entrada do restaurante Clandestino, com mesas e plantas na área externa. Foto: Divulgação

Apoiadores do presidente Lula passaram a compartilhar nas redes sociais listas de bares, cafés e restaurantes para incentivar o público a frequentar negócios associados à esquerda e alvo de boicotes bolsonaristas, segundo a Folha de S.Paulo. A mobilização surgiu após grupos de apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgarem relações de estabelecimentos que consumidores deveriam evitar.

As listas de apoio incluem empreendimentos de chefs como Janaína Torres, Bel Coelho e Rodrigo Oliveira. Publicações classificam os locais como opções para consumidores que querem demonstrar solidariedade aos proprietários diante das campanhas de boicote.

Bel Coelho, dona dos restaurantes Cuia e Clandestino, afirmou que vê positivamente a reação nas redes. Para ela, a mobilização ganhou força depois que o deputado André Janones (Rede-MG) ajudou a organizar apoiadores de Lula no grupo chamado Exército do Lula. “Acho que a esquerda começou a entender a lógica das redes e a necessidade de a gente ser propositivo”, disse.

A chef relatou que o Clandestino, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, sente mais os ataques do que o Cuia, que tem preços mais acessíveis. Bel também disse receber discursos de ódio por seus posicionamentos políticos e afirmou que deixou de compartilhar algumas mensagens para não ampliar a visibilidade dos ataques.

Campanha criada por bolsonaristas para “demitir petistas”. Foto: Reprodução

Chefs detonam identificação política de restaurantes

Um dos guias compartilhados traz o título “Restaurantes que os donos são petistas” e reúne dezenas de nomes. Entre eles estão Bar da Dona Onça, Clandestino, Mocotó, La Guapa e Casa Europa. A autora da publicação recomenda frequentá-los “com gosto, por estimular o trabalho de gente inteligente”.

Janaína Torres, proprietária do Bar da Dona Onça, no centro de São Paulo, disse que soube da inclusão do restaurante tanto nas listas de boicote quanto nas de solidariedade. Ela classificou a associação política dos estabelecimentos como equivocada e antidemocrática. “É tão fora da caixinha que a gente não pode nem se importar com tamanha falta de senso”, afirmou.

A chef declarou que costuma tornar públicos seus votos, mas não anunciou sua escolha no segundo turno porque estava trabalhando no Uruguai. Janaína afirmou que o movimento não alterou a rotina do bar, que segue com grande volume de trabalho, e criticou o ambiente de certezas absolutas na política.

O empresário Facundo Guerra, CEO do Grupo Vegas, criticou em vídeo uma publicação do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) que sugeria que comerciantes de esquerda colocassem uma bandeira do PT na entrada dos negócios. Guerra argumentou que a lógica poderia atingir empresários de direita e afirmou que consumidores de esquerda representam um mercado expressivo. Rodrigo Oliveira, dono do Mocotó, disse que continuará recebendo todos os clientes: “Acolher bem, sem olhar a quem” é nosso valor mais importante.