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Filhos de bolsonaristas fazem bullying contra crianças de famílias petistas em escolas

Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP

Escolas de diferentes cidades registraram relatos de bullying político entre alunos nos dias posteriores ao segundo turno das eleições, vencido pelo presidente Lula (PT) no domingo (25). Pais procuraram coordenações após ofensas, ameaças e pressões contra crianças e adolescentes identificados com posições políticas de suas famílias, segundo a Folha de S.Paulo.

A maior parte dos relatos envolve estudantes filhos de apoiadores de Bolsonaro hostilizando colegas ligados a famílias que apoiaram Lula. Também há denúncia no sentido oposto: um aluno de 16 anos do Centro Educacional 6 do Gama, no Distrito Federal, afirmou ter sofrido perseguição por apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) e mudou de unidade de ensino.

No caso do Gama, a governadora Celina Leão (PP) pediu apuração à Secretaria de Educação. A pasta informou que a Polícia Civil investiga a denúncia e que abriu procedimento administrativo para verificar os fatos e eventuais responsabilidades.

Em Foz do Iguaçu (PR), a mãe de um estudante de 12 anos relatou que o filho teria sido cercado e chamado de “petista nojento”. Em comentários à publicação, outra mãe contou que a filha, de seis anos, perguntou por que queriam matar Lula depois de ouvir de um colega uma ameaça contra o presidente.

Escolas de São Paulo relatam intervenções após denúncias

Caixa decorada com a inscrição Área Anti-Bullying
Caixa decorada para receber relatos de estudantes sobre conflitos e bullying. Foto:  Lucas Seixas/Folhapress

Na Escola do Futuro, na zona sul de São Paulo, um pai disse que a filha de 12 anos chorou após colegas a cercarem e pressionarem na segunda-feira. Ele afirmou que a estudante voltou a relatar ataques e atribuiu a um professor a frase: “Ué, você é petista mesmo? Então faz o L”.

A Escola do Futuro declarou que não tolera ofensas, intimidações ou discriminação, inclusive por opiniões políticas das famílias. A instituição disse que recebeu relato de ofensas verbais, recolheu adesivos político-partidários em salas de aula e conversou com as turmas envolvidas no mesmo dia.

O Colégio Bandeirantes, também na zona sul, ouviu alunos após um empresário publicar vídeo em que denunciou agressões contra sua filha adolescente por ela apoiar Lula. Segundo ele, uma estudante disse que a jovem deveria ser estuprada, e outra aluna, bolsista, foi chamada de gorda e de escrota.

O Bandeirantes afirmou que não admite intimidação, provocação ou desrespeito e que busca esclarecer os episódios, promover diálogo e recompor as relações entre os envolvidos. A psicóloga Vera Rocha Resende, doutora em psicologia clínica pela PUC-SP, alertou que discursos de ódio reproduzidos por adultos prejudicam a sociabilidade das crianças: “Acho que a gente precisaria reeducar esses adultos que estão produzindo esse tipo de comportamento nos filhos”.