
A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no trimestre encerrado em setembro, o menor resultado para esse período desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados nesta sexta-feira (30).
O índice havia ficado em 5,4% no trimestre encerrado em junho, usado como base de comparação. Analistas consultados pela Bloomberg projetavam taxa de 5,2% para o período mais recente.
O IBGE considera desempregada a pessoa com 14 anos ou mais que não possui trabalho e procura uma ocupação. Apenas estar sem emprego não basta para integrar a população desocupada nas estatísticas oficiais.
A taxa estava em 5,3% no trimestre encerrado em agosto. O instituto evita comparar diretamente períodos que compartilham meses, como os intervalos encerrados em agosto e setembro.

Juros altos e mudança demográfica influenciam o mercado
O mercado de trabalho mantém indicadores fortes, embora as divulgações mais recentes apontem desaceleração, na avaliação de economistas. A perda de ritmo ocorre enquanto os juros permanecem elevados como instrumento de controle da inflação.
O resultado também sai durante o debate sobre o fim da escala 6×1, em que o trabalhador atua seis dias e folga um por semana. A mudança deve entrar em vigor em meados de dezembro.
Analistas associam o desemprego baixo ao desempenho da atividade econômica nos últimos anos. A ampliação das ocupações reduziu a parcela da população que busca trabalho sem conseguir uma vaga.
O envelhecimento da população também diminui a pressão sobre a taxa de desocupação, porque parte dos brasileiros deixa o mercado de trabalho e para de procurar emprego. Ao mesmo tempo, essa tendência amplia o desafio previdenciário com o crescimento da demanda por aposentadorias.
A tecnologia integra esse cenário: cerca de 2 milhões de pessoas exerciam a atividade principal ou secundária por aplicativos de serviços em 2025, conforme módulo anual da Pnad divulgado pelo IBGE em setembro.