
O Itamaraty orientou o presidente Lula (PT) a não responder às provocações de Donald Trump e Javier Milei após a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) a Miami. A avaliação no governo é que o caso deve permanecer na esfera judicial, sem reação pública do Palácio do Planalto, segundo o Estadão.
A recomendação foi discutida em reunião de Lula com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, antes da viagem do chanceler a Atlanta para um encontro de ministros do G20. O governo brasileiro avalia que uma troca de acusações com os presidentes dos Estados Unidos e da Argentina daria visibilidade à estratégia de Flávio.
Um diplomata afirmou que entrar em bate-boca com Trump e Milei seria “dar palanque para maluco”. Até então, os dois líderes não haviam reconhecido a vitória eleitoral de Lula.
Flávio chegou a Miami depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes à Polícia Federal e proibir sua saída do país. O senador é alvo de dois inquéritos, um relacionado ao pedido de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme “Dark Horse”, e outro sobre suspeita de lavagem de dinheiro por meio de bets.

Governo aguarda eleição legislativa nos Estados Unidos
Integrantes do governo apostam que o trumpismo pode perder força nas eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para a próxima terça (3). A votação definirá a composição do Congresso americano, e há expectativa de que o Partido Republicano perca a maioria parlamentar.
Auxiliares de Lula classificaram o episódio envolvendo Flávio, Trump e Milei como um “episódio de perdedores”. A orientação é esperar o resultado da disputa nos Estados Unidos antes de definir eventuais movimentos diplomáticos, sem expectativa de mudança no tarifaço aplicado a produtos brasileiros.
Em carta divulgada após chegar aos Estados Unidos, Flávio se chamou de “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A primeira versão do texto trazia a palavra Brasil escrita com “z” no brasão da República. Em versão posterior, ele substituiu a expressão por “líder do Brasil”.
A crise também tende a adiar a análise brasileira sobre o agrément para o deputado estadual Daniel Perez, indicado por Trump para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Em agosto, o governo americano revogou o visto de múltiplas entradas da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, em meio à demora para a resposta sobre a indicação.