
O estrategista político americano Jason Miller, assessor de comunicação de Donald Trump, acompanhou a apuração das eleições presidenciais brasileiras no domingo (25) ao lado de Eduardo Bolsonaro, em Miami, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo. Ele integrou o grupo bolsonarista reunido na Freedom Tower para assistir à divulgação dos resultados.
O núcleo formado em torno de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos reservou um auditório para cerca de 400 pessoas. Também estavam no local o ex-delegado Alexandre Ramagem, o apresentador Paulo Figueiredo e o ex-capitão da PM André Porciúncula, que ocupou cargos no governo de Jair Bolsonaro.
Miller passou boa parte da apuração em uma sala VIP, mas circulou pelo auditório e chegou a sentar nas primeiras fileiras destinadas a convidados especiais. Pessoas que o viram no local disseram que ele demonstrava confiança na vitória de Flávio Bolsonaro no início da contagem.
Quando a apuração apontou a virada, Miller deixou o evento, e Eduardo Bolsonaro também saiu do auditório sem retornar. No dia seguinte, Miller teria organizado o deslocamento de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos em um avião particular.

Postagens de Miller contestaram resultado eleitoral
Flávio Bolsonaro afirmou que decidiu deixar o Brasil após receber uma notificação da Polícia Federal para entregar o passaporte, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A participação de Miller no voo foi revelada pelos jornais americanos The New York Times e The Wall Street Journal.
No domingo do segundo turno, Miller escreveu nas redes sociais contra a decisão do ministro Cristiano Zanin de ampliar o horário de votação. “O advogado da campanha de Lula, agora ministro do STF, literalmente seu advogado, decidiu que as urnas ficassem abertas por mais duas horas. Não dá pra inventar uma merda dessas”, publicou.
O assessor de Trump também sustentou, sem apresentar provas, que uma vitória de Lula seria “matematicamente impossível”. Flávio Bolsonaro havia pedido a ampliação do horário de votação, informação que Miller não mencionou ao criticar a medida.
Aliado antigo da família Bolsonaro, Miller participou das campanhas presidenciais de Trump e retornou à Casa Branca em agosto para atuar na campanha republicana para as eleições legislativas. Em maio, após uma reunião de Flávio com Trump, ele disse a jornalistas: “Estou aqui para apoiar meus amigos. Eu apoio Flávio”.