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Assessor de Milei que montou fuga de Flávio se aproxima do governo do Panamá e incomoda o Planalto

Presidente do Panamá felicitou Lula pela vitória, mas estaria se aproximando de assessor de Milei que promoveu a fuga de Flávio Bolsonaro (crédito: reprodução)

Há desconforto no Palácio do Planalto com a informação de que Santiago Caputo, principal assessor do presidente argentino Javier Milei, está tentando fazer negócios com o governo de José Raúl Mulino, no Panamá, conforme apurou o DCM com fontes do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que conversaram com a reportagem sob condição de anonimato.

O incômodo se dá porque Caputo teve participação direta na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil na semana passada. Derrotado por Lula no segundo turno, o senador deixou o país pela fronteira com a Argentina, apesar da ordem do ministro Alexandre de Moraes que o proibia de sair do país e determinava a entrega do passaporte.

Para ajudar Flávio, Caputo viajou a Puerto Iguazú e acompanhou a operação desde o início, mantendo contato com a empresa do voo particular. Ele estava em Iguazú desde a noite de 26 de outubro e teria chegado no mesmo avião da Baires Fly usado depois por Flávio. Um registro policial obtido pelo jornal argentino La Nación mostra que Caputo foi parado às 2h50 em uma blitz na Rota 12, na províncía de Misiones. Ele estava em uma van com placa diplomática, vinda de Puerto Iguazú, e se identificou como assessor de Milei.

O governo argentino confirmou oficialmente apenas que Flávio e a família entraram no país “sem nenhum impedimento legal”. Flávio cruzou a ponte Tancredo Neves às 22h50 de 27 de outubro, escoltado por uma viatura da Polícia de Segurança Aeroportuária, e decolou de madrugada rumo aos Estados Unidos, com escala técnica em Guayaquil, no Equador.

No Brasil, a Polícia Federal reconstitui a rota do senador, e o Itamaraty acompanha o caso. O governo quer saber quem ajudou Flávio e se brasileiros ou argentinos participaram da operação. A orientação aos ministros é evitar comentários públicos para não dar palco ao senador.

O episódio se soma a uma relação já desgastada. Milei apoiou Flávio na campanha, chamou Lula de “presidiário” e insinuou que o PT tentaria “roubar a eleição”. O Itamaraty classificou as falas como “inaceitável tentativa de ingerência externa”. O embaixador brasileiro em Buenos Aires foi chamado de volta em agosto e não retornou. Depois da vitória de Lula, Caputo ironizou nas redes: “Todo marcha acorde al plan.”

Segundo fontes do Itamaraty, a impressão é a de que o presidente panamenho, o direitista José Raúl Mulino, muito embora tenha rapidamente felicitado Lula pela reeleição, ao permitir a aproximação de Caputo a seu governo, estaria agindo sigilosamente para ampliar o “cerco direitista” a que o Brasil e o governo Lula estão submetidos na América Latina.