
Juízes e políticos de oposição da Polônia acusaram o primeiro-ministro Donald Tusk de tentar um golpe de Estado após um cerco policial ao Tribunal Constitucional nesta sexta-feira (30). A intervenção ocorreu em meio ao afastamento do presidente e do vice-presidente da Corte e a uma disputa entre o premiê e o presidente do país, Karol Nawrocki. As informações são do Metrópoles.
O presidente do tribunal, Bogdan Święczkowski, e seu vice, Bartłomiej Sochański, foram afastados por decisão da magistrada Anna Korwin-Piotrowska. Segundo a reportagem, ela alegou que estava sendo impedida de exercer suas funções.
A polícia foi enviada ao tribunal após pedidos de Korwin-Piotrowska e do procurador-geral Waldemar Zurek. As autoridades justificaram a medida pela existência de possíveis ameaças à integridade física de juízes e funcionários da Corte.
Tentativa de Golpe de Estado na Polônia! Primeiro-ministro polonês Donald Tusk, de esquerda, envia tropas policiais e fecha Tribunal Constitucional com correntes em clara tentativa de golpe. pic.twitter.com/KBsOEKFYvg
— Área Militar (@areamilitarof) October 30, 2026
Em publicação no X, Tusk defendeu a necessidade de “restaurar o império da lei” e atribuiu ilegalidades no Tribunal Constitucional ao partido Lei e Justiça (PiS). “Após anos de ilegalidades do PiS, este é um processo difícil, por vezes doloroso, e exige ação determinada. Não há outro caminho”, afirmou o primeiro-ministro.
Nawrocki estava em um voo para o Senegal quando a crise se agravou. O presidente interrompeu a viagem e retornou à Polônia antes de chegar ao destino. “Em um momento como este, o presidente deve estar na Polônia”, declarou.
O Tribunal Constitucional é composto por 15 juízes escolhidos pelo Parlamento polonês, o Sejm, para mandatos de nove anos. Os dois magistrados afastados foram indicados durante o período em que o PiS governou o país, entre 2015 e 2023.
Tusk, do partido Plataforma Cívica, venceu as eleições de 2023 e acusa os magistrados indicados sob o governo anterior de bloquear reformas.