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MP mira Rueda e Canella por suspeita em R$ 80 milhões de emendas a Belford Roxo

Montagem com Antônio Rueda e Márcio Canella
Antônio Rueda e Márcio Canella. Montagem: Divulgação

A Procuradoria Eleitoral do Rio de Janeiro apura se Antônio Rueda, presidente do União Brasil e deputado federal eleito, e Márcio Canella, deputado estadual eleito pela legenda, articularam a destinação de R$ 80 milhões em emendas parlamentares a Belford Roxo entre 2025 e 2026, quando não tinham mandato na Câmara. A suspeita inclui eventual benefício dos próprios investigados. As informações são do Estadão.

Com o aval do procurador-geral da República, Paulo Gonet, os procuradores pediram aos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acesso a documentos de investigações sob suas relatorias. O material deve subsidiar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral e esclarecer a participação dos dois na articulação de recursos junto a parlamentares do União Brasil.

O pedido alcança a Operação Transparência, relatada por Dino, que investiga dirigentes partidários suspeitos de controlar emendas sem ocupar cargos públicos. Também inclui a Unha e Carne, sob Moraes, que apura lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e vazamento de informações sigilosas em crimes ligados ao Comando Vermelho no Rio.

Entre os elementos citados está uma anotação encontrada no celular de Canella: “Emendas/20 Pedro 20 Mota”. Os procuradores querem cruzar esse registro com outros dados dos inquéritos para esclarecer a indicação, a articulação e o destino dos recursos federais ao município da Baixada Fluminense, governado por Canella por um ano.

Fuzil encontrado no veículo de Márcio Canella durante operação da Polícia Federal
Fuzil encontrado no veículo de Márcio Canella na operação de julho. Foto: Divulgação/Polícia Federal

Em julho, Canella foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo durante a sexta fase da Unha e Carne. Os agentes encontraram um fuzil calibre 5,56 mm em seu veículo, além de R$ 919 mil e US$ 13 mil. Ele também é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de R$ 7,6 bilhões por meio de postos de combustíveis.

Canella voltou a ser preso pela Polícia Federal em 15 de outubro. No pedido ao Supremo, os procuradores solicitaram ainda acesso à resposta do União Brasil à determinação de Dino para que partidos com representação no Congresso explicassem se suas direções participam da definição ou distribuição de emendas.

O União Brasil negou que sua direção tivesse cotas, reservas ou titularidade desses recursos, incluindo Rueda, que à época não ocupava cargo eletivo. O MP Eleitoral pretende confrontar a versão com os dados das investigações. O Estadão informou ter procurado Rueda e Canella para comentar as suspeitas e manteve espaço aberto para manifestação.