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O reduto bolsonarista que foi decisivo para fuga de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro em desembarque nos EUA. Foto: Reprodução

Foz do Iguaçu, no Paraná, fez parte da rota de fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, que seguiu ainda para a Argetina de Javier Milei antes de seguir ao Equador e, finalmente, para os Estados Unidos. Ainda não há esclarecimento público sobre o trajeto, os meios de transporte e eventuais pessoas que o ajudaram.

Administrada pelo bolsonarista Joaquim Silva e Luna (PL), a cidade fica na tríplice fronteira e mantém forte presença bolsonarista. Na eleição que deu vitória a Lula (PT), carros com adesivos da campanha de Flávio e bandeiras do Brasil permaneceram visíveis na cidade, enquanto municípios próximos deram ao senador até 70% dos votos válidos no segundo turno, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A região também abriga Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, primo dos filhos mais velhos de Jair Bolsonaro e foragido pelos atos terroristas de 8 de Janeiro. Ele vive em Porto Iguaçu, no lado argentino, desde 2025.

Em março de 2025, Léo Índio informou ao STF um endereço na cidade argentina, mas um homem encontrado no local disse ao Metrópoles que nenhum Leonardo morava ali. Em entrevista a uma emissora argentina, ele comemorou a saída do primo do Brasil e afirmou: “Me alegrou muito saber que meu primo saiu do Brasil, porque o destino dele seria o cárcere”.

Fachada de comitê eleitoral em apoio a Flávio Bolsonaro em Foz do Iguaçu
Fachada de comitê eleitoral com apoio a Flávio Bolsonaro em Foz do Iguaçu. Foto: Reprodução

Região foi usada por outros bolsonaristas que deixaram o Brasil

O STF contabilizou, em 2024, 61 foragidos na Argentina ligados à tentativa de golpe, sem detalhar quantos cruzaram a fronteira por terra. Entre cinco bolsonaristas conhecidos que buscaram o exterior para evitar a Justiça, três passaram por Foz do Iguaçu: Flávio, a ex-deputada Carla Zambelli e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques.

Zambelli dirigiu de São Paulo ao oeste do Paraná, cruzou a ponte para a Argentina e depois viajou aos Estados Unidos e à Itália, onde utilizou passaporte italiano. Silvinei seguiu de carro até Foz e acabou preso no aeroporto de Assunção, no Paraguai, quando tentava embarcar para El Salvador; a tornozeleira dele apareceu três dias depois na rodoviária de Ciudad del Este.

Em relação a Flávio, emissoras argentinas filmaram, na terça-feira (27), uma van brasileira no aeroporto de Porto Iguaçu e afirmaram que o veículo transportava o senador e seus familiares. A empresária dona da van recusou entrevista, disse ter recebido ameaças de petistas sem apresentar detalhes e não explicou por que Willer Tomaz, advogado e sócio de Flávio, segue a empresa nas redes sociais.

A Polícia Federal divulgou apenas um comunicado sobre as limitações para deter o senador sem ordem de prisão. A unidade da PF em Foz do Iguaçu, que atua no combate ao contrabando, ao tráfico de drogas e ao tráfico de armas na fronteira, não participou da apuração conduzida em Brasília.