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Sócio de Flávio Bolsonaro tem 5 mansões em ilhas além da que tomou de Richarlison

Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

O advogado Willer Tomaz, investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suspeitas de lavagem de dinheiro, reúne imóveis em ilhas de Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio. Um dos bens entrou em disputa com o atacante Richarlison, do Tottenham e da Seleção Brasileira.

O levantamento em sistemas da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) e registros de cartório lista cinco casas vinculadas a empresas de Tomaz. Quatro ficam na Ilha Comprida e uma na Ilha do José André; o advogado também declarou participação de 25% em uma casa na Ilha do Jorge, administrada pela Prime You.

Na Ilha Comprida, a empresa WT Administração de Imóveis e Bens comprou, em setembro de 2021, três terrenos de 175,2 mil m², 32,8 mil m² e 181,8 mil m², com valores patrimoniais registrados de R$ 5,7 milhões, R$ 2,1 milhões e R$ 6 milhões. A empresa adquiriu em julho de 2022 o imóvel de 2,1 mil m² disputado com Richarlison, avaliado em R$ 2,9 milhões; a casa na Ilha do José André, comprada em 2008 pela Friponor Brasil Turismo, tem valor patrimonial de R$ 23,7 milhões.

Disputa por casa na Ilha Comprida chegou ao STF

Richarlison publicou vídeos nos dias 17 e 21 de outubro acusando Flávio Bolsonaro de atuar na disputa pelo imóvel. O jogador afirmou que ocupava a casa desde 2020 e investiu R$ 10 milhões no local por meio da empresa Sport 70. Segundo ele, o senador visitou a ilha, demonstrou interesse pela propriedade e ele recusou a venda.

A Sport 70 pediu à SPU, em 20 de setembro de 2021, a regularização da ocupação do imóvel, mas o processo não avançou. Já a M Locadora de Veículos solicitou em 5 de maio de 2022 a regularização de um direito de ocupação que remontaria à década de 1980 e obteve andamento favorável.

Ilha Comprida em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro
Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução

Em 11 de julho de 2022, a M Locadora pediu às 11h33 uma Certidão de Autorização para Transferência, necessária para negociar o direito de ocupação, e a SPU emitiu o documento às 13h13. A empresa transferiu depois o imóvel para a WT Administração de Imóveis e Bens. Um servidor ouvido no caso apontou a rapidez desse procedimento e a falta de análise do pedido de Richarlison como o principal ponto controverso na esfera administrativa.

Tomaz e Flávio confirmam amizade, mas negam negócios em conjunto. O advogado sustenta que Richarlison pagou posseiros, e não a proprietária de direito, ao adquirir a casa. Ele apresentou escritura, certidão da SPU e decisões favoráveis na Justiça, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Pedro Uczai (PT-SC) pediram que o STF apurasse o caso no inquérito que envolve o senador e Tomaz; o ministro Alexandre de Moraes relata a investigação.

As aquisições na Ilha Comprida ocorreram na época em que Flávio Bolsonaro apresentou, em outubro de 2021, um projeto para criar uma região integrada de desenvolvimento entre Angra dos Reis, Mangaratiba e Paraty, com previsão de municipalização de unidades de conservação.

O texto aguarda análise na Comissão de Meio Ambiente do Senado desde abril de 2025. Flávio também relatou no Senado a PEC das Praias, que prevê retirar terrenos de marinha, incluindo ilhas, da lista de bens da União; a proposta permanece na Comissão de Constituição e Justiça.