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Navio residencial “afunda” e abandona seus moradores no Camboja; entenda

O navio residencial Villa Vie Odyssey navegando, em imagem de divulgação
O navio residencial Villa Vie Odyssey, em imagem de divulgação. Foto: Villa Vie Residences

O navio residencial Villa Vie Odyssey interrompeu suas operações e obrigou moradores a desembarcar em Sihanoukville, no Camboja. A operadora Villa Vie Residences anunciou a suspensão na terça-feira (27), em meio a dificuldades financeiras. Passageiros ouvidos pelo Business Insider relataram que receberam apenas oito horas para deixar a embarcação.

O casal Lanette Canen e Johan Bodin, que estava a bordo desde a primeira viagem, em 2024, contou que o aviso chegou por volta das 6h, com desembarque obrigatório até as 14h do mesmo dia. Eles disseram que já consideravam a possibilidade de sair, mas foram surpreendidos pelo prazo. Barbara Fiegel, moradora desde dezembro de 2024, também relatou choque e tristeza enquanto tentava decidir os próximos passos.

A proposta da companhia era oferecer uma casa permanente no mar, com estadia all inclusive. Os planos de moradia permanente partiam de US$ 119.999, cerca de US$ 120 mil. Havia ainda uma modalidade de cinco anos a partir de US$ 59.999.

Grupo de moradores reunido na proa do Villa Vie Odyssey, em foto de divulgação
Moradores a bordo do Villa Vie Odyssey, em foto de divulgação anterior à suspensão das viagens. Foto: Villa Vie Residences

A Villa Vie atribui a suspensão à disparada dos custos de combustível desde o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Em comunicado oficial, a empresa informou que a despesa mensal equivalente por cabine, antes próxima de US$ 1.800, chegou a uma faixa estimada de US$ 6 mil a US$ 8 mil em partes da Ásia.

Segundo a operadora, foram adotadas medidas para economizar combustível, como reduzir a velocidade do itinerário e aumentar o tempo de permanência nos portos. A companhia afirma, porém, que isso não compensou a alta dos custos e que repassar integralmente o aumento aos residentes seria inviável.

O dirigente Mikael Petterson disse ao Business Insider que negociava um aporte com um potencial investidor, mas o acordo fracassou. Ele afirmou que os caminhos possíveis incluem uma reestruturação supervisionada pela Justiça ou a liquidação da empresa e que a operadora não tem condições de manter as atividades normais enquanto procura uma solução.

A companhia informou que trabalha com os moradores para coordenar o desembarque e identificar acomodações temporárias. No comunicado, anunciou que avaliará alternativas de reestruturação e captação de recursos ao longo dos 60 dias seguintes. A empresa ressaltou que nenhum financiamento ou transação havia sido concluído e que não há garantia de resultado.