
A juíza federal Trina Thompson determinou na sexta-feira (30) que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos pare de ameaçar, com processos, autoridades eleitorais que não cumpram exigências do governo Donald Trump sobre a votação de supostos não cidadãos. A liminar saiu a poucos dias das eleições de meio de mandato, marcadas para terça-feira (3).
Thompson concluiu que o governo ultrapassou seus limites ao pressionar estados e municípios a cooperar com iniciativas federais de fiscalização eleitoral. Sindicatos de trabalhadores eleitorais e outros grupos moveram a ação contra a administração Trump.
Na decisão, a magistrada afirmou que o interesse público favorecia os autores do processo diante da proximidade da votação. “Como o público tem um interesse primordial em garantir que os funcionários e trabalhadores eleitorais possam realizar seu trabalho de acordo com a lei federal e os procedimentos eleitorais, e o dia oficial das eleições está a apenas alguns dias de distância, o equilíbrio entre os interesses em jogo e o interesse público pesa a favor dos autores”, escreveu.
A ordem judicial impede o governo federal de exigir que autoridades locais retirem eleitores dos cadastros estaduais, neguem cédulas a pessoas específicas ou separem votos das eleições de meio de mandato com base em uma lista de supostos eleitores não cidadãos elaborada por funcionários atuais.

Governo Trump pressionou estados por dados de eleitores
Nas últimas semanas, a gestão Trump adotou uma postura mais agressiva na supervisão eleitoral e pressionou estados a entregar dados de registro de eleitores. O governo sustentou que regras mais rígidas seriam necessárias para assegurar a segurança e a confiança no voto.
Especialistas e autoridades eleitorais, entre elas democratas e algumas republicanas, classificaram as medidas como excessivas e apontaram risco de interferência federal na eleição. Pessoas ouvidas pela Reuters relataram que se preparavam para uma possível intervenção do governo no pleito.
O governo afirma que até 250 mil não cidadãos podem estar registrados ilegalmente para votar, estimativa contestada por especialistas. Dados do próprio Departamento de Justiça apontam que 156 pessoas enfrentaram acusações por crimes ligados a fraude eleitoral desde o início do governo Trump, em um país com cerca de 227 milhões de eleitores registrados.
Documentos internos analisados pela CBS indicam que centenas de agentes deixaram outras atividades para investigar suspeitas de fraude eleitoral. A operação prevê diligências na Califórnia, Geórgia, Missouri, Pensilvânia, Washington e Wisconsin, inclusive com visitas domiciliares para verificar a elegibilidade de eleitores.