
Dois servidores da Prefeitura de Tacuru (MS) admitiram à Polícia Federal que gravaram áudios com ameaças de envenenar a água consumida pelos indígenas Guarani-Kaiowá da Aldeia Sassoró. Nos depoimentos, os funcionários alegaram embriaguez e disseram não ter meios para executar as ameaças, segundo a coluna de Matheus Leitão, no Metrópoles.
Os dois foram afastados e respondem a processos administrativos disciplinares, além da investigação da PF. O primeiro afastamento ocorreu na quarta-feira (28), e o segundo, na sexta (30). De acordo com a coluna, os depoimentos deixaram a apuração perto da conclusão.
O prefeito Rogério Torquetti (PSDB) confirmou as medidas e afirmou que nenhum dos servidores trabalha diretamente no abastecimento de água da aldeia. A alegação de falta de meios para executar as ameaças foi apresentada pelos próprios investigados em seus depoimentos.

A gravação circulou em um grupo de WhatsApp após a vitória de Lula (PT) no segundo turno. Um dos trechos defendia colocar veneno na água consumida pela comunidade e usava uma expressão desumanizante contra os indígenas. Lideranças da aldeia denunciaram o caso e cobraram responsabilização.
O Ministério dos Povos Indígenas já havia encaminhado a denúncia à PF e solicitado a identificação dos responsáveis e medidas preventivas para proteger os moradores. Na ocasião, o órgão informou que não havia comprovação de contaminação da água. Os novos relatos tratam da autoria dos áudios, e não da confirmação de um envenenamento.
O episódio ocorreu em meio a outras denúncias de intimidação no período eleitoral. Segundo o Metrópoles, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabilizou mais de 30 denúncias de violência, e o governo federal organizou uma força-tarefa e enviou uma comitiva de ministros a Mato Grosso do Sul.