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Após ameaças, governo anuncia reforço da Força Nacional em aldeias Guarani Kaiowá

Ministros e lideranças indígenas reunidos em Mato Grosso do Sul
Ministros e lideranças indígenas durante visita a Mato Grosso do Sul neste sábado (31). Foto: Rony Eloy/Secom

O governo federal anunciou neste sábado (31) que ampliará o efetivo e a permanência da Força Nacional em Mato Grosso do Sul para proteger aldeias Guarani Kaiowá. A medida foi apresentada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, durante uma visita à região após denúncias de ameaças e violência contra indígenas, informou a Radioagência Nacional.

O ministro esteve nas aldeias Sassoró, em Tacuru, e Taquapery, em Coronel Sapucaia, na fronteira com o Paraguai. Também participaram da comitiva Eloy Terena, dos Povos Indígenas, e Janine Mello, dos Direitos Humanos. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabilizou mais de 30 relatos de violência que ganharam repercussão depois das eleições.

Segundo Wellington, o reforço adotará o procedimento chamado “Minuto a Minuto”, com equipes disponíveis em campo para se deslocar diante de ocorrências graves ou com indícios de crime. O acionamento poderá ser feito pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal ou forças estaduais. O trabalho prevê registros de imagens e verificação no local para identificar a natureza dos episódios e, quando possível, seus responsáveis.

Missão de proteção aos Guarani Kaiowá em Douradina, em julho de 2024
Missão de proteção aos Guarani Kaiowá em Douradina (MS), em julho de 2024. Foto: Eloy Terena/Instagram

Em Sassoró, um áudio com ameaças de envenenar a água consumida pela comunidade provocou a mobilização das autoridades. Dois servidores municipais admitiram à PF ter gravado as ameaças e foram afastados. A denúncia se refere à ameaça contra o abastecimento; não há, no relato apresentado pelos ministros, confirmação de contaminação da água.

Eloy Terena informou que a PF já ouviu os suspeitos e que haverá reforço no monitoramento da qualidade da água. O ministro ressaltou que as denúncias precisam ser examinadas individualmente, pois parte do material recebido envolve episódios ocorridos em outros momentos.

Após uma triagem preliminar, a pasta dos Povos Indígenas reuniu dez casos, quatro deles em Mato Grosso do Sul. Até aquele momento, segundo Eloy, apenas a ameaça de envenenamento apresentava ligação direta identificada com crime político. Os relatos de atropelamentos continuam sob apuração, sem que essa motivação tenha sido estabelecida.

O Ministério dos Direitos Humanos também anunciou que colocará seu programa de proteção à disposição das vítimas. De acordo com a pasta, mais de 80 indígenas de Mato Grosso do Sul já são atendidos pela iniciativa.