
Cinco deputados federais do PT pediram à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) que apurem o papel do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) nas campanhas de boicote a comerciantes que declararam voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação é da Veja.
No documento de 22 páginas, os parlamentares relatam a circulação de listas com nomes de estabelecimentos, empresas, profissionais liberais e trabalhadores identificados como eleitores de Lula após o segundo turno. Algumas publicações, segundo os autores, foram acompanhadas de mensagens com conteúdo violento.
Os deputados citam registros no Rio Grande do Sul, em São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco. Para eles, o surgimento das listas em períodos próximos, com formatos e linguagem semelhantes, justifica uma investigação sobre a possibilidade de articulação entre os responsáveis pela campanha.
O pedido também abrange empresários que estariam ameaçando demitir funcionários por divergências políticas. Na avaliação dos parlamentares, as condutas relatadas podem configurar crimes como perseguição, ameaça, incitação, atentado contra a liberdade de trabalho, discriminação por procedência, associação criminosa e coação eleitoral.

Assinam a representação Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na Câmara, Erika Kokay (PT-DF), Maria do Rosário (PT-RS), Bohn Gass (PT-RS) e Alencar Santana (PT-SP). O grupo pede que as autoridades esclareçam se Nikolas estimulou a divulgação das listas e qual foi sua participação na propagação dos boicotes.
O deputado já havia feito um desafio a comerciantes de esquerda nas redes sociais. Sobre a fotografia de uma loja com uma bandeira petista, escreveu: “Você que é comerciante de esquerda” e “Desafio lançado: coloque a bandeira do PT no seu estabelecimento”.
Em manifestação anterior nas redes sociais, Nikolas defendeu que consumidores deixem de frequentar negócios de pessoas com posições políticas diferentes das suas. O parlamentar, porém, condenou a interrupção de doações a pessoas em situação de vulnerabilidade por causa do voto, distinguindo essa prática dos boicotes comerciais.