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Ex-agente do Mossad ajudou Flávio Bolsonaro a fugir do Brasil

Avião particular no Aeroporto Executivo Miami-Opa Locka
Flávio Bolsonaro desembarcando em Miami após sua fuga do Brasil. Foto: Reprodução

Um ex-agente do Mossad, serviço de inteligência de Israel, que obteve cidadania estadunidense, participou da operação que permitiu a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, apesar de uma decisão judicial que o proibia de deixar o país. A informação foi divulgada pela CNN Brasil na sexta-feira (30), com base em uma investigação conduzida por um órgão de segurança brasileiro.

Segundo a apuração, a operação começou a ser organizada antes do segundo turno da eleição presidencial, realizado em 25 de outubro, e contou com a participação de pessoas ligadas à Argentina e aos Estados Unidos. O ex-agente israelense, cuja identidade não foi revelada, chegou ao Brasil em 19 de outubro, seis dias antes da votação. Ele acompanhou Flávio desde Brasília até a fronteira argentina e permaneceu no mesmo veículo durante a travessia.

Investigadores brasileiros identificaram, por meio de imagens de câmeras de segurança, duas vans comerciais que atravessaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, na Argentina, na terça-feira (27). Flávio e o ex-integrante do Mossad estavam em um dos veículos, enquanto a mulher e as duas filhas do senador viajavam no outro. Um dos motoristas foi identificado como ex-vereador de Foz do Iguaçu. O segundo seria filho dele.

Após cruzar a fronteira, a família embarcou em um jato executivo Gulfstream G400 operado pela companhia argentina Baires Fly. A aeronave seguiu para os Estados Unidos, fez uma escala para abastecimento em Guayaquil, no Equador, e pousou na manhã de quarta-feira (28) no Aeroporto Executivo de Opa-locka, próximo a Miami, na Flórida. Segundo o The New York Times, Jason Miller, estrategista político próximo ao presidente estadunidense Donald Trump, ajudou a organizar a disponibilização do avião.

O jornal argentino Clarín informou que Santiago Caputo, um dos principais assessores do presidente Javier Milei, esteve na região da fronteira para supervisionar a operação e impedir que a travessia fosse documentada. As informações sobre a participação de integrantes dos governos argentino e estadunidense ainda dependem de confirmação oficial.

A fuga ocorreu após Flávio Bolsonaro ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Depois da votação, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a apreensão dos passaportes do senador e proibiu sua saída do território brasileiro. Flávio também é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em casos relacionados a plataformas de apostas e ao financiamento de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. As acusações ainda não foram comprovadas judicialmente.

A Polícia Federal informou não ter encontrado registros oficiais da saída de Flávio Bolsonaro pelos postos brasileiros de controle migratório. Integrantes do governo brasileiro classificaram o episódio como uma operação internacional de resgate planejada antecipadamente, denominada internamente de Operação Alba. Segundo esses relatos, a divulgação de informações falsas sobre o paradeiro do senador fazia parte da estratégia para facilitar sua retirada do país.

O Ministério das Relações Exteriores convocou um representante da Argentina para solicitar esclarecimentos sobre a possível participação do governo Milei. Nos Estados Unidos, 25 parlamentares do Partido Democrata cobraram explicações da administração Trump sobre o eventual uso de recursos diplomáticos estadunidenses na operação.

A Polícia Federal também avalia solicitar ao STF o bloqueio de bens e contas bancárias de Flávio Bolsonaro. Até o momento, as informações sobre a participação do ex-agente do Mossad e o envolvimento de autoridades estrangeiras têm como base investigações divulgadas pela imprensa, sem uma decisão judicial definitiva sobre essas responsabilidades.