
A ala paulista do PT perdeu influência na campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto lideranças do Nordeste e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ganharam espaço na reorganização política que antecede o quarto mandato. A definição do ministério deve indicar o peso de cada grupo e influenciar a disputa pela sucessão presidencial em 2030. Com informações do jornal O Globo.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, deputado federal eleito por São Paulo, viu Camilo Santana (PT-CE), Rafael Fonteles (PT), governador reeleito do Piauí, e Rui Costa (PT-BA), senador eleito, assumirem posições de destaque na coordenação do segundo turno. O deputado André Janones (Rede-MG) também ampliou sua atuação na mobilização digital com o canal de WhatsApp “Exército do Lula”.
Edinho recebeu críticas internas pela condução partidária e da campanha. Em reunião da cúpula petista, a ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu, filiada ao partido, classificou a coordenação nacional como formada por “paulistas sem voto”. Lula também disse que aquela tinha sido a campanha mais desorganizada que disputou, mas depois afirmou nas redes sociais que a dedicação do dirigente foi “fundamental para a pavimentação desse caminho que nos conduziu à vitória”.
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad enfrenta questionamentos após perder no primeiro turno para Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo governo de São Paulo. Aliados afirmam que ele entrou na corrida a pedido de Lula e atribuem a ele parte do avanço do presidente no estado, de 38,20% dos votos válidos no primeiro turno para 46,15% no segundo.

Lideranças do Nordeste e Alckmin entram na disputa por espaço no governo
Fonteles, Camilo Santana e Rui Costa aparecem entre os nomes cotados para postos relevantes. O governador do Piauí é lembrado para o Ministério da Fazenda; Camilo pode assumir a Casa Civil ou a Justiça e Segurança Pública; e Rui Costa é apontado para uma pasta ligada à infraestrutura. O grupo petista da Bahia também elegeu Jerônimo Rodrigues para o governo estadual e Jaques Wagner para o Senado.
Alckmin ganhou projeção na reta final da campanha e recebeu elogios públicos de Lula no discurso da vitória. “Ele tem muito a ver com essa nossa vitória”, disse o presidente ao passar a palavra ao vice. Em ato por seus 81 anos, Lula afirmou que Alckmin o tem ajudado de “forma extraordinária” e terá “um papel muito importante” no novo mandato.
Interlocutores do presidente avaliam que Alckmin pode ocupar um ministério de maior peso, com a Fazenda entre as possibilidades. A hipótese o coloca na mesma disputa por espaço de Fonteles e envolve diferentes posições sobre a política econômica: Alckmin, a ex-ministra Simone Tebet e o ministro Dario Durigan defendem mais atenção ao equilíbrio das contas públicas.
O debate fiscal expôs divergências no governo. José Guimarães, ministro das Relações Institucionais, primeiro disse que o Executivo não discutia ajuste fiscal e depois escreveu que “responsabilidade fiscal e compromisso social caminham como prioridade no governo Lula”. Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, criticou cortes em políticas sociais, enquanto Durigan defendeu buscar o centro da meta de resultado primário e revisar despesas obrigatórias.