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O país que tributa fortunas há um século e segue entre os mais ricos do mundo

Vista dos Alpes a partir de Zurique, na Suíça
Vista para os Alpes, em Zurique

A Suíça cobra impostos sobre o patrimônio há mais de um século e continua atraindo grandes fortunas, em um modelo baseado em alíquotas reduzidas que entrou no debate americano sobre a taxação de bilionários. O país tem PIB per capita de US$ 126.177 e ocupa a quarta posição mundial nesse indicador, atrás de Liechtenstein, Luxemburgo e Irlanda. Com informações da Fortune.

Os cantões suíços, equivalentes aos estados brasileiros, definem suas próprias cobranças sobre o patrimônio. Para Warren Gorlick, ex-assessor de políticas públicas do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, a permanência de milionários no país se explica pelo nível moderado das taxas. Gorlick afirmou que a tributação patrimonial suíça não afastou os ricos. O número de adultos com patrimônio entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões cresceu, em média, 7,4% ao ano entre 2000 e 2025.

Em Zurique, um casal com patrimônio líquido de US$ 2,5 milhões paga uma alíquota efetiva de 0,24%, cerca de US$ 6 mil por ano. Para um patrimônio de US$ 1 bilhão, a taxa efetiva indicada por Gorlick chega a 0,7%, equivalente a US$ 7 milhões anuais.

Lula
O presidente Lula (PT). Foto: Ricardo Stuckert/PR

Brasil taxa altas rendas e discute imposto sobre grandes fortunas

No Brasil, a lei sancionada por Lula em 2025 criou uma tributação mínima para pessoas com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil. A alíquota cresce progressivamente até chegar a 10% para rendas de R$ 1,2 milhão ou mais por ano, consideradas as exclusões previstas na legislação.

A regra alcança os rendimentos de 2026, com apuração anual na declaração de 2027. O imposto já recolhido é descontado: quem atingir o mínimo exigido não terá cobrança complementar por esse mecanismo. A medida foi aprovada junto com a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais.

Outra frente busca atingir diretamente a riqueza acumulada. O deputado Pedro Uczai (PT-SC) apresentou o Projeto de Lei Complementar 5/2026 para instituir o Imposto sobre Grandes Fortunas. O texto prevê cobrança anual sobre patrimônios superiores a R$ 10 milhões, descontadas dívidas e obrigações que incidam sobre os bens.

A proposta ainda aguarda despacho da Presidência da Câmara e depende de aprovação no Congresso. Os dois mecanismos atingem bases diferentes: a tributação mínima considera os rendimentos recebidos ao longo do ano, enquanto o imposto sobre grandes fortunas alcançaria o patrimônio acumulado pelo contribuinte.