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Derrota de Flávio em Minas vira cobrança contra Cleitinho e ameaça apoio do PL

Cleitinho de Minas
O senador Cleitinho de Minas (Republicanos-MG). Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), passou a enfrentar cobranças de bolsonaristas pela derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no estado, o que dificulta sua tentativa de atrair o PL para a base do novo governo na Assembleia Legislativa. A informação é do jornal O Globo.

Flávio venceu Lula no primeiro turno em Minas por uma diferença de 588 mil votos, mas perdeu a disputa no segundo turno por 109 mil votos. Integrantes do núcleo bolsonarista atribuíram parte da reversão a Cleitinho e ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), também alvo de cobranças pela derrota, que coordenou a campanha do senador no estado.

Aliados de Flávio esperavam que Cleitinho reunisse apoios locais e participasse de atos em Minas. O governador eleito faltou à primeira agenda conjunta após passar mal, e os dois só se encontraram na véspera do segundo turno, em um ato em Belo Horizonte.

Cleitinho concentrou as manifestações em favor de Flávio nas redes sociais e afirmou, em vídeo, que estava dedicado à transição estadual, sem retirar o apoio ao candidato do PL. Depois da derrota, ele não comentou o resultado nem a saída de Flávio do Brasil, mas criticou boicotes de bolsonaristas a estabelecimentos ligados a petistas.

Flávio Bolsonaro
O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Sergio Lima/AFP

PL mantém conversas, mas exige alinhamento do novo governo

O vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), rejeitou as críticas. “O Cleitinho declarou apoio ao Flávio em fevereiro. Reiterou diversas vezes, mesmo com o PL lançando candidato em Minas. No segundo turno, não só participamos, como ajudamos a mobilizar os eventos para os quais fomos convidados”, afirmou.

Falcão disse esperar uma reunião nos próximos dias com representantes do PL para discutir a posição do partido diante da nova administração. Durante a campanha, o líder da bancada do PL na Assembleia, Bruno Engler, havia condicionado uma aliança ao desempenho de Cleitinho como cabo eleitoral de Flávio.

O presidente estadual do PL, deputado federal Zé Victor, afirmou que o partido foi procurado pelo governador eleito para abrir conversas, mas ressaltou que isso não representa uma composição já definida. “Queremos ter um governo com pautas alinhadas e um método de gestão eficiente e coerente com aquilo que a gente prega”, declarou.

O PT, que terá a segunda maior bancada na Assembleia, atrás apenas do PL, não decidiu fazer oposição automática. A presidente estadual da legenda, deputada Leninha, afirmou que o partido dialogará sobre propostas de interesse da população, mas avisou que uma eventual participação do PL na base deve afastar o PT por “diferenças profundas com a agenda defendida pela extrema direita”. O PSOL já anunciou que fará oposição ao governo Cleitinho.