
A jornalista e influenciadora Julie Milk, que apoiou a eleição de Flávio Bolsonaro (PL), criticou campanhas de políticos e influenciadores de direita que defendem a demissão de trabalhadores por terem votado em Lula (PT). Em vídeos publicados nas redes sociais, ela classificou a prática como “crueldade desumana”.
“Isso é fascismo puro. Muito horrível”, afirmou Milk. Ela defendeu uma reação do Ministério Público contra quem incentiva dispensas motivadas pela preferência política dos empregados.
“Isso é inadmissível, é desumano. Um bando de gente rica caçando uma turma que trabalha, que vive do salário”, disse a influenciadora. “Estou muito decepcionada de ver amigas minhas fazendo essa caça às bruxas”, acrescentou.
Milk disputou uma vaga de deputada federal por São Paulo pelo PSD, mas não se elegeu. Nos vídeos, ela também direcionou críticas a políticos que pediram publicamente o desligamento de pessoas com posições eleitorais diferentes.
Ver esse post no Instagram
MPT recebeu mais de 3 mil denúncias de assédio eleitoral
Parte dos episódios já motivou procedimentos no Ministério Público do Trabalho. O órgão registrou 3.290 denúncias de assédio eleitoral no pleito deste ano, número que inclui relatos apresentados antes e depois do segundo turno.
Mais de um terço dos registros chegou ao MPT nos três dias posteriores à votação de domingo (25). Entre 23h59 daquele dia e 15h40 de quarta-feira (28), o órgão recebeu 1.143 denúncias.
A lei 9.029/1995 considera discriminatória a demissão baseada na preferência política do trabalhador. Empresas e responsáveis por esse tipo de conduta podem responder a ações na Justiça do Trabalho.
Em uma das gravações, Milk ironizou influenciadores que recuaram após a possibilidade de atuação do Ministério Público. “Já vi mais de 10 vídeos de pedidos de desculpa. Vocês acham que despedir alguém porque vota diferente de você é uma coisa que lhe faz moralmente superior?”, questionou.
A jornalista afirmou que não quer se associar ao grupo que incentiva as dispensas. “Tem uma turma da direita que não pensa, que não pensa. Eu, graças a Deus, faço parte da direita intelectual, me põe pra fora desse balaio de vocês”, declarou.
Em outro vídeo, ela apontou o impacto das demissões sobre famílias e trabalhadores. “Transformar divergência política em sentença de desemprego não é defender princípios, é praticar intolerância”, disse.