
O pastor Silas Malafaia sinalizou um possível rompimento entre lideranças evangélicas e a família Bolsonaro após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Lula (PT). A avaliação é do antropólogo Juliano Spyer, que, na coluna “Malafaia sinaliza divórcio entre líderes gospel e bolsonarismo”, publicada na Folha de S.Paulo no sábado (31), aponta o desgaste da relação e o fortalecimento de Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre pastores influentes. Confira trechos:
“Após a publicação da carta de Flávio Bolsonaro (PL), Malafaia usou palavras fortes para descrever não apenas o 01, mas todos os filhos de Jair: jumentos, babacas e amadores. Esse rancor tem história.
Lideranças reclamam que a família trata igrejas como currais eleitorais. Ano passado Jair impôs o nome de Flávio desconsiderando a preferência deles por Tarcísio de Freitas (Republicanos). (…)

Para esse pastor, o bolsonarismo tenta emplacar o discurso da perseguição, que soa como terraplanismo eleitoral. Malafaia “ajuda as pessoas a entenderem que dá para ser de direita e perceber as loucuras e os absurdos do Flávio e seu entorno. Ajuda a mostrar que direita e bolsonarismo não são a mesma coisa e vai pacificar a igreja, permitindo que as críticas ao bolsonarismo circulem”, conclui.
Com a fuga de Flávio, a narrativa conspiratória de que a eleição foi fraudada circula a partir de atores como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Deltan Dallagnol (Novo-PR). Mas além do próprio Malafaia, outros líderes como bispo Teo Hayashi, influente sobre a juventude evangélica, ecoam outra visão: a derrota para o PT é trágica, mas foi a escolha dos brasileiros e deve ser respeitada. (…)
Para atacar os filhos de Jair, Malafaia não falou publicamente. Mandou mensagem a interlocutores e ela acabou na imprensa. É a mesma postura dos pastores durante a eleição: evitar atrito dedicando o mínimo de engajamento ao bolsonarismo. Tarcísio já era o escolhido deles e com a fuga de Flávio o caminho está aberto para o vínculo se aprofundar.”