
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende abrir um canal direto de comunicação com a população e colocou a regulação das plataformas digitais entre as prioridades do próximo mandato. A declaração ocorreu no discurso de vitória, depois de Lula vencer o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL) com 51,8% dos votos.
Lula agradeceu ao deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pela mobilização digital da campanha, e o chamou de “general”. O presidente disse que o parlamentar teve “um papel exponencial nessa campanha para levantar diariamente, de manhã, de tarde e de noite, a moral da nossa tropa”.
Na reta final da disputa, Lula passou a usar mais o smartphone, após anos de resistência à ferramenta. Ele afirmou que conversará “muitas vezes por dia” diretamente com os brasileiros e criticou o que classificou como interpretações de jornalistas “com má-fé”.
Janones reuniu mais de 10 milhões de pessoas no grupo “Exército do Lula”, no WhatsApp, e defendeu manter a estrutura ativa após a eleição. Para ele, a rede deve atuar como instrumento de pressão popular em apoio ao governo diante da composição do Congresso.

“O grande objetivo desse ‘Exército’, pós-eleição, é compensar a minoria que o presidente Lula vai ter na Câmara e no Senado, porque a extrema direita está com uma maioria esmagadora”, disse Janones. “O ‘Exército do Lula’ tem como missão, a partir de agora, dar governabilidade ao presidente.”
Outros parlamentares que ganharam projeção nas redes durante o segundo turno também defendem preservar a mobilização. Entre eles estão os deputados federais eleitos Ana Elisa (PT-MG), Jones Manoel (PSOL-PE) e Guilherme Cortez (PSOL-SP).
Cortez, que soma mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, afirmou que a esquerda demorou a reconhecer a importância das redes na disputa política. “Para ganhar eleição foi preciso que a gente tomasse ofensiva nesse terreno, e conseguimos, mesmo com todas as comprovadas tentativas de boicotar nossa campanha pelos aplicativos”, declarou.
A campanha teve acusações de tratamento desigual por plataformas digitais. Mensagens internas da Meta indicaram que funcionários reconheceram prejuízos a contas de Lula e benefícios a perfis de Flávio Bolsonaro; a empresa negou ingerência no processo eleitoral.
Lula afirmou que o país precisou vencer uma “intromissão vinda de fora para dentro” pelas plataformas e comparou crimes digitais a crimes praticados fora da internet. O presidente também criticou empresas bilionárias que não pagam impostos enquanto tentam “direcionar o resultado eleitoral” brasileiro.