
A UniCesumar, universidade privada de Maringá (PR), expulsou estudantes de medicina envolvidos em ataques contra colegas bolsistas após o segundo turno das eleições de domingo (25). A instituição concluiu na sexta-feira (30) uma sindicância interna sobre mensagens publicadas em grupos de WhatsApp.
A reitoria também aplicou advertências e suspensões, conforme a gravidade das condutas apuradas. A universidade não informou quantos alunos receberam punições nem divulgou os nomes dos envolvidos.
As mensagens atacavam estudantes beneficiados por bolsas e programas de acesso ao ensino superior. Em um dos trechos reunidos pela Associação dos Estudantes de Medicina do Paraná (Aemed-PR), um aluno escreveu: “Pai dos pobres vai cuidar de vocês, fiquem tranquilos, pobrinhos. A gente está tranquilo e tem 15k por mês com sobras”.
Outro comentário dizia que os pais dos autores das mensagens tinham dinheiro e “não precisam de ex-presidiário para bancar faculdade”. Houve ainda críticas ao Prouni, programa federal que concede bolsas em instituições privadas.

O material compartilhado pelos estudantes incluiu uma imagem de um pelotão da antiga Alemanha Oriental acompanhada de referência a “raw milk”, expressão associada, segundo as denúncias, a ideais supremacistas. Os grupos também registraram mensagens de teor racista e com menções à violência sexual.
No Centro Universitário FAG, em Cascavel (PR), três estudantes de medicina receberam suspensão e outros foram advertidos. A instituição informou que os procedimentos administrativos continuavam em andamento.
A Aemed-PR reuniu relatos e apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público do Paraná. Sérgio Robassa, diretor de relações externas da entidade, afirmou que “a ética médica não é negociável e não podemos entregar a saúde da população a quem não tem o mínimo de empatia”.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná repudiou os episódios e declarou que atitudes discriminatórias são incompatíveis com os princípios éticos da formação médica. Entidades estudantis da UniCesumar também desligaram os envolvidos de seus quadros e o Centro Acadêmico Miguel Nicolelis ofereceu suporte psicoterapêutico gratuito ou a custo reduzido aos alunos afetados.