
Líderes partidários articulam votar, antes da chegada da nova legislatura, uma proposta que substitui o sistema proporcional pelo voto distrital misto para a eleição de deputados federais. A mudança pode reduzir o peso de candidatos com votação massiva, os chamados puxadores de votos, na formação das bancadas.
O jornalista José Roberto de Toledo afirmou, no podcast “A Hora”, do Canal UOL, que a discussão ganha força porque partidos que perderam espaço na última eleição tentam alterar as regras antes de um Congresso mais à direita assumir os mandatos.
No modelo debatido, o eleitor daria dois votos para deputado federal. Metade das cadeiras seria preenchida por candidatos eleitos em distritos eleitorais, com um vencedor em cada área delimitada.
A outra metade viria de listas partidárias. Nesse voto, o eleitor escolheria um partido, federação ou coligação, e as legendas definiriam previamente a ordem dos nomes que ocupariam as vagas.
Toledo classificou a iniciativa como uma reação ao efeito de candidatos que concentram milhões de votos e ajudam a eleger colegas pela soma dos votos da legenda. “Essa é uma emenda anti-influencer, anti-Pavanato, anti-Nikolas”, disse, citando o vereador Lucas Pavanato e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

Na avaliação do jornalista, um candidato com 3 milhões de votos não conseguiria, no voto distrital misto, eleger outros parlamentares pelas sobras partidárias como ocorre no sistema proporcional. A lista partidária passaria a dividir espaço com a disputa direta nos distritos.
O desenho territorial desses distritos se tornaria um dos pontos mais sensíveis da proposta. Toledo citou o termo americano “gerrymandering”, usado para descrever a manipulação de mapas eleitorais com o objetivo de favorecer candidaturas, e propôs a tradução “salamandragem”.
Segundo Toledo, PSD, PP e União Brasil, partidos que ele chamou de “Arenão”, teriam perdido espaço com o crescimento de bancadas impulsionadas por votações expressivas, sobretudo no PL. Ele afirmou que o PL tende a resistir à mudança e avaliou que a proposta pode avançar antes da troca de legislatura, apesar da disputa entre os partidos.