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Queda nos gastos com bets impulsiona vendas de alimentos

Jogo caça-níquel Fortune Tiger, conhecido como jogo do tigrinho. Foto: Divulgação

A proibição das casas de apostas on-line coincidiu com um aumento de 6,5% nas vendas de alimentos essenciais em supermercados, informou a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O levantamento compara as compras registradas desde o fim de setembro com o mesmo período de 2025.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou em 25 de setembro a Medida Provisória 1.394/2026, que veta as apostas esportivas e os jogos on-line de quota fixa no país. A medida já vigora, mas deputados e senadores ainda precisam analisá-la.

O presidente da Abras, João Galassi, associou a alta no consumo à redução das transações via Pix após a entrada em vigor da proibição. Segundo ele, as operações caíram cerca de 10% inicialmente e depois passaram a registrar retração de 7%.

Galassi afirmou que parte dos recursos antes direcionados às plataformas de apostas pode ter migrado para a compra de produtos básicos. “Isso quer dizer que as pessoas estão comprando mais produtos, o que comprova que o fim das bets beneficia muito a população brasileira, porque aumenta o consumo dos alimentos”, disse.

Pessoas em supermecado. Foto: Divulgação

Na semana de 5 a 11 de outubro, as vendas cresceram 6,5%. Entre os dias 12 e 17 do mesmo mês, a alta chegou a 6,3%, conforme os dados apresentados pela associação durante a feira Supervendas, em Aracaju.

O Sul e o bloco formado por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro tiveram crescimento de 10,6% nas compras, na comparação anual. No Nordeste, a alta foi de 6,5%; no interior paulista, de 5,6%; e na Região Metropolitana do Rio, de 4%.

O Centro-Oeste registrou avanço de 3,6%, enquanto a Grande São Paulo teve a menor variação, de 1,2%. O vice-presidente da Abras, Marcio Milan, afirmou que os supermercados comercializam “qualidade de vida” e “saúde”, enquanto as bets “vendem uma doença social”.

O vice-presidente Geraldo Alckmin compartilhou os números e escreveu que “o dinheiro das bets está voltando para a mesa do brasileiro”. O senador Humberto Costa (PT-PE), vice-presidente do Senado, também comemorou a alta e disse que os recursos deixaram de “alimentar as apostas” para retornar à comida e às despesas das famílias.

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável e a Associação Nacional de Jogos e Loterias contestaram que os dados comprovem relação direta entre o veto às bets legalizadas e o avanço do varejo alimentar. As entidades citaram a melhora do emprego e da renda, a queda de preços de itens alimentícios e o reajuste de 15% do Bolsa Família como fatores que podem ter influenciado as compras.