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Com fuga de Flávio do país, governadores de direita miram relação com Lula

Tarcísio de Freitas, Douglas Ruas, Cleitinho e Sergio Moro. Foto: Divulgação

Treze dos 15 governadores eleitos que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno reconheceram expressamente a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nenhum deles aderiu à carta em que o senador contesta, sem provas, o resultado das urnas. Com informações do Globo.

O posicionamento dos governadores ocorre enquanto a direita tenta se reorganizar após a derrota presidencial e a ida de Flávio aos Estados Unidos. Os chefes estaduais buscam preservar interlocução com o Palácio do Planalto para negociar investimentos, obras e demandas fiscais de seus estados.

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), tornou pública sua divergência com a reação de Flávio e defendeu o respeito ao resultado eleitoral. “A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente”, afirmou em nota. “Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente.”

Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) terá de negociar com Lula a dívida estadual com a União, que supera R$ 180 bilhões. O orçamento mineiro prevê déficit de R$ 10,5 bilhões em 2027, e o governador eleito tem defendido nas redes sociais a superação das divergências políticas.

O presidente Lula. Foto: Divulgação

No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL-RJ) afirmou que pretende manter uma relação institucional produtiva com o governo federal. “O Brasil perdeu a chance de mudar seu futuro, mas foi esta a vontade da maioria dos eleitores e eu respeito”, disse, ao defender investimentos em obras e políticas sociais para o estado.

Os governadores eleitos do Sul discutem uma agenda conjunta que inclui a recuperação da Malha Sul, a renegociação de dívidas estaduais, um fundo constitucional para a região e o Sudeste, crédito ao agronegócio e obras de infraestrutura. Luciano Zucco (PL-RS) disse esperar “disposição e reciprocidade” do governo federal diante da situação fiscal gaúcha.

No Paraná, Sergio Moro reconheceu o resultado eleitoral, embora tenha defendido esclarecimentos sobre questionamentos da oposição. O governador eleito afirmou que seu foco será administrar o estado e declarou que a oposição continuará atuando nacionalmente após ampliar bancadas na Câmara e no Senado.

A governadora reeleita do Distrito Federal, Celina Leão (PP-DF), disse que manterá diálogo com Lula enquanto busca aval da União para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões destinado à capitalização do Banco de Brasília. Em Goiás, Daniel Vilela (MDB-GO) cobrou uma política de “não retaliação” aos estados adversários, enquanto Jorginho Mello (PL-SC) e Marcos Rogério (PL-RO) não reconheceram expressamente a vitória de Lula.