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Brasil se tornou um exemplo de reação democrática à extrema direita, diz professor

Flávio Bolsonaro ao lado de Donald Trump em Washington
Flávio Bolsonaro ao lado de Donald Trump em Washington. Foto: Reprodução

O professor de Relações Internacionais João Daniel Almeida, da PUC-Rio, afirmou que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e a ida de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos colocaram o Brasil como referência no debate contra a extrema direita. Na avaliação do pesquisador, o caso passou a circular entre políticos democratas antes das eleições legislativas americanas.

“Da noite para o dia, o Brasil passou a ser um exemplo de como barrar a extrema direita dentro da democracia”, disse Almeida em entrevista ao jornal O Globo. Ele atribuiu parte da repercussão à combinação entre a virada eleitoral de Lula e a saída de Flávio Bolsonaro do país, após a derrota presidencial.

O professor afirmou que parlamentares e personalidades do campo democrata impulsionaram o tema nas redes sociais. Segundo ele, alguns políticos prometeram deportar integrantes da família Bolsonaro caso a oposição volte à Presidência dos Estados Unidos em 2028.

Almeida também disse que Flávio Bolsonaro alterou o texto de uma carta após a repercussão de sua autodeclaração como “presidente eleito”. O senador passou a se apresentar como “líder” da oposição, ainda conforme o professor.

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Flávio Bolsonaro. Imagem: reprodução

Impacto para Trump e a eleição legislativa dos EUA

Para Almeida, Donald Trump pode perder a maioria na Câmara dos Representantes e talvez no Senado nas eleições legislativas, mas uma eventual derrota não deve resultar em impeachment. O professor avaliou que o republicano enfrentaria os últimos anos de mandato como um “pato manco”, com menor capacidade de aprovar medidas no Congresso.

Ele considerou improvável que a carta de Flávio Bolsonaro tenha peso em uma tentativa de Trump de contestar resultados eleitorais nos Estados Unidos. Na leitura do especialista, esse tipo de estratégia teria potencial maior em uma disputa presidencial, e não em eleições legislativas.

O pesquisador disse que a relação de Trump com o bolsonarismo pode se tornar mais custosa caso os democratas avancem no Congresso. Para ele, o presidente americano tinha interesse em manter articulações digitais ligadas ao grupo de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo durante a disputa brasileira.

Almeida apontou ainda que a derrota eleitoral e a saída de Flávio Bolsonaro podem reduzir a influência política do bolsonarismo nos cálculos de Trump. “Se Trump entender que é melhor se livrar dos ‘perdedores’, ele não pensará duas vezes”, afirmou.

Sobre a recusa de Trump em reconhecer a vitória de Lula, o professor classificou a postura como inédita nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Ele observou que Trump havia elogiado a rapidez do sistema eleitoral brasileiro no primeiro turno e avaliou que o reconhecimento formal do resultado pode ocorrer depois das eleições legislativas americanas.

Na avaliação de Almeida, temas como regulamentação das redes sociais, soberania digital e o Pix têm maior potencial de tensionar a relação bilateral do que a presença de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. Ele citou a expectativa de encontro entre Lula e Trump na cúpula do G20, prevista para dezembro em Miami.

O professor também relacionou a vitória de Lula a limites da estratégia de expansão da influência americana na América Latina, chamada por ele de “Doutrina Donroe”. Para Almeida, a mobilização política brasileira nas redes sociais passou a ser vista como uma resposta a intervenções dos EUA na região.