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Veja todos os detalhes dos bastidores da fuga de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro em imagem exibida pelo Fantástico
Flávio Bolsonaro em imagem exibida pelo Fantástico. Foto: Reprodução

Documentos do sistema de imigração argentino apontam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve três registros de entrada na Argentina em 40 minutos, na noite em que seguiu com a família para os Estados Unidos. A apuração exibida pelo Fantástico vincula os registros a uma operação que passou por Puerto Iguazú, cidade argentina na fronteira com Foz do Iguaçu (PR).

Os dados indicam entradas às 22h37, às 22h40 e às 23h11, todas associadas a uma van que cruzou a fronteira vinda do Brasil. No primeiro registro, Flávio Bolsonaro usou um passaporte italiano; nos dois seguintes, constavam uma carteira de motorista e um passaporte brasileiro.

O sistema cancelou posteriormente os dois lançamentos com documentos brasileiros e manteve como válido o ingresso com o passaporte italiano. A movimentação ocorreu após o Supremo Tribunal Federal determinar que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal.

A mulher do senador, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal viajaram de Brasília a Cascavel, no oeste do Paraná, em outra aeronave. Às 20h02, as três saíram do hangar do aeroporto em uma van identificada como pertencente à Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda., empresa de Foz do Iguaçu.

Flávio Bolsonaro desembarca de avião no aeroporto executivo de Opa-Locka, na Flórida
Flávio Bolsonaro desembarca de avião no Aeroporto Executivo de Opa-Locka, na Flórida. Foto: Reprodução

Vans, escolta e viagem em jato executivo

Registros migratórios mostram que duas vans ligadas à empresa cruzaram a fronteira para a Argentina naquela noite. Na outra estavam o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre, que atuou na defesa de Jair Bolsonaro, e o israelense Menachem Booky Halevy, apontado como ex-oficial do serviço de inteligência de Israel.

Dala Corte disse que recebeu a tarefa de buscar dois homens em um posto de gasolina em Foz do Iguaçu e levá-los ao aeroporto de Puerto Iguazú. “Eu levei duas pessoas que eu nem sei quem é. Simplesmente deixei os caras no aeroporto”, afirmou.

O jornalista argentino Nicolás Munafó, do canal C5N, relatou ter visto uma comitiva com escolta policial e veículos brasileiros e argentinos no aeroporto. A principal linha investigativa considera que Flávio Bolsonaro chegou a Puerto Iguazú em um voo privado vindo de Buenos Aires e esperou dentro da aeronave pela chegada da família.

A Justiça argentina ordenou a preservação das imagens das câmeras de segurança da fronteira e do aeroporto. A deputada argentina Marcela Pagano pediu explicações sobre o controle migratório, a escolta policial e o uso de veículos diplomáticos na operação.

A família embarcou de Puerto Iguazú em um Gulfstream G400 operado pela empresa argentina Baires Fly, que fez escala para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami. O empresário Luis Grande, dono da companhia, disse à agência France-Presse que o fretamento custou US$ 150 mil, cerca de R$ 800 mil, pagos por um intermediário baseado nos Estados Unidos.

O desembarque ocorreu no Aeroporto Executivo de Opa-Locka, em Miami. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou participação do governo americano na preparação da viagem: “Não facilitamos nada. Não tivemos nenhuma participação nos preparativos que ele fez”.

O advogado Frederick Wassef, representante de Flávio Bolsonaro, contestou que a viagem tenha representado uma fuga e afirmou que não há informações oficiais confirmadas sobre o trajeto. A assessoria do advogado Willer Tomaz também negou que aeronaves ligadas a ele ou a empresas de sua família tenham transportado o senador ou seus familiares.