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O que acontece com Flávio Bolsonaro se democratas derrotarem Trump nos EUA

Flávio Bolsonaro desembarca em aeroporto executivo na Flórida
Flávio Bolsonaro desembarca em aeroporto executivo na Flórida, nos Estados Unidos. Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode enfrentar pressão política e investigações no Congresso dos Estados Unidos se os democratas conquistarem maioria nas eleições de meio de mandato, mas os parlamentares não têm poder para determinar sua deportação. A permanência de estrangeiros no país depende de órgãos do Executivo comandado por Donald Trump.

Flávio chegou aos EUA a uma semana das midterms, que renovarão toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. Nas redes sociais, a hashtag #DeportTheBolsonaros ficou entre os assuntos mais compartilhados do X no Brasil nesta sexta-feira (30), enquanto brasileiros cobravam candidatos democratas por medidas contra o senador.

O professor Roberto Uebel, coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos e docente de Relações Internacionais da ESPM, afirmou que o Congresso não pode expulsar diretamente um estrangeiro. “Não se pode pensar que o Congresso tem o poder de deportar alguém. Isso não está na sua incumbência, não está na sua jurisdição”, disse.

O Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, e o Departamento de Segurança Interna dos EUA decidem sobre vistos e procedimentos migratórios. Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense, explicou que a revogação de um visto não provoca automaticamente a saída do país; a deportação exige um procedimento legal específico.

Flávio Bolsonaro deixa um carro preto usando camisa verde
Flávio Bolsonaro deixa um carro preto usando camisa verde. Foto: Reprodução

Congressistas democratas já pediram explicações a Marco Rubio

Um grupo de 25 democratas da Câmara enviou uma carta a Rubio na noite de quinta-feira (29) para questionar se órgãos do governo Trump ajudaram Flávio Bolsonaro e sua família a viajar aos EUA ou a entrar no país. As deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus lideraram a iniciativa, que reúne integrantes do Comitê de Relações Exteriores da Câmara.

“A questão central é simples: o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da suposta restrição judicial brasileira à sua saída?”, questiona a carta.

Se retomarem o controle de uma das Casas, os democratas poderão convocar Rubio e abrir uma apuração sobre eventual tratamento excepcional na emissão de vistos, na autorização de entrada ou na manutenção do status migratório do senador. Brustolin observou que a Câmara, sozinha, pode iniciar uma investigação parlamentar.

O acesso a documentos sobre vistos e comunicações do governo pode gerar disputa entre Legislativo e Casa Branca. Brustolin afirmou que o Executivo pode invocar privilégios e objeções legais para restringir parte das informações, embora isso não impeça por completo uma investigação e a tomada de depoimentos.