
Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), passaram a projetar uma candidatura dele à Presidência em 2030 sem a necessidade de aval da família Bolsonaro. A avaliação no entorno do governador é que a perda de protagonismo de Jair Bolsonaro (PL) e de seus filhos abriria espaço para Tarcísio se apresentar como nome da direita.
O vice-governador Felicio Ramuth (MDB) afirmou que o bolsonarismo continuará como força política, mas perderá centralidade nas próximas disputas presidenciais. “O bolsonarismo veio para ficar como movimento político, mas perderá o protagonismo nas próximas eleições presidenciais”, disse à Folha.
Ramuth comparou o possível encolhimento do grupo ao cenário enfrentado pelo PT após Lula e pelo PSDB. “O PT pós-Lula […] corre um grande risco de ver seu peso político diminuir exatamente como aconteceu com o PSDB”, declarou o vice-governador.
Em 2026, a articulação de Tarcísio para uma corrida nacional não avançou porque Bolsonaro indicou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a disputa presidencial. Naquele momento, o governador paulista tinha melhor recepção no mercado financeiro, enquanto Flávio enfrentava mais dificuldade para atrair partidos e eleitores de direita e de centro.

Tarcísio admite desgaste com bolsonaristas
Reeleito em outubro, Tarcísio deu sinais de que aceita enfrentar críticas de setores bolsonaristas. No dia em que Flávio divulgou uma carta de teor golpista, o governador defendeu, em nota, o respeito ao resultado eleitoral: “O caminho é respeitar o resultado das urnas” e “agora é preciso olhar para frente”.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tarcísio vinculou uma eventual candidatura ao Planalto ao desempenho de sua gestão em São Paulo. Ele disse que uma campanha nacional será consequência de “terminar bem” o segundo mandato.
A postura levou o governador à mira de bolsonaristas, mas Michelle Bolsonaro (PL-DF), ex-primeira-dama e senadora eleita, o defendeu de ataques feitos por aliados de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A manifestação de Michelle deu respaldo a Tarcísio no embate com esse setor.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que apoiou a candidatura de Flávio Bolsonaro, buscou reduzir a tensão. “A Michelle Bolsonaro afirmou que não tem nenhuma crítica do Jair Bolsonaro ao Tarcísio, só agradecimento e reconhecimento. Casos isolados são de pessoas que na verdade desejam manter engajamento nas suas redes”, afirmou.