
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para a próxima terça-feira (3), colocarão oito disputas pelo Senado no centro da batalha pelo controle do Congresso e pelo futuro da agenda do presidente Donald Trump. Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Michigan, Ohio, Texas e Carolina do Norte concentram as corridas mais competitivas.
Os republicanos chegam à eleição com 53 das 100 cadeiras do Senado, ante 47 dos democratas. Como o vice-presidente JD Vance pode desempatar votações a favor do governo, o Partido Republicano mantém o comando da Casa com 50 senadores; os democratas precisam conquistar ao menos 51 assentos.
Das 35 vagas em jogo, 22 pertencem atualmente aos republicanos e 13 aos democratas. A oposição precisa virar quatro cadeiras e, ao mesmo tempo, defender postos vulneráveis, especialmente o de Michigan, onde o senador democrata Gary Peters desistiu de buscar a reeleição.
No Alasca, a democrata Mary Peltola enfrenta o senador republicano Dan Sullivan, aliado de Trump que busca o terceiro mandato. A corrida ainda reúne dois outros republicanos, entre eles Dan J. Sullivan Jr., nome quase idêntico ao do senador e que pode dividir votos conservadores.
Estados conservadores entram no radar democrata
Iowa e Kansas, dois estados vencidos por Trump em 2024, também terão disputas monitoradas. Em Iowa, a deputada federal republicana Ashley Hinson concorre contra o democrata Josh Turek, deputado estadual e bicampeão paralímpico de basquete em cadeira de rodas; os democratas exploram os efeitos das tarifas e da alta de custos para agricultores.
No Kansas, o senador republicano Roger Marshall enfrenta Adam Hamilton, pastor metodista e líder de uma grande igreja no estado. Hamilton tenta atrair eleitores moderados e aparece com vantagem de um ponto percentual na média de pesquisas, apesar de nenhum democrata vencer uma eleição ao Senado pelo Kansas desde 1932.

O Maine oferece uma das melhores chances de virada para os democratas. Troy Jackson, ex-presidente do Senado estadual, desafia Susan Collins, republicana no cargo desde 1997, que enfrenta desgaste pelo voto decisivo na confirmação de Brett Kavanaugh à Suprema Corte em 2018.
Em Michigan, o republicano Mike Rogers disputa a cadeira aberta contra o democrata Abdul El-Sayed, médico de 41 anos e filho de imigrantes egípcios. Se vencer, El-Sayed será o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos Estados Unidos; sua campanha defende pautas sociais e critica a atuação de Israel em Gaza.
Ohio também pode mudar de lado. O ex-senador democrata Sherrod Brown tenta recuperar o posto perdido para Bernie Moreno e enfrenta Jon Husted, republicano nomeado em janeiro de 2025 para ocupar a vaga deixada por Vance ao assumir a vice-presidência.
No Texas, o deputado estadual democrata James Talarico enfrenta o procurador-geral Ken Paxton, um dos principais nomes da direita trumpista no estado e apoiado por Trump. Paxton foi absolvido pelo Senado estadual em um processo de impeachment por acusações de corrupção e abuso de poder em 2023 e encerrou, por acordo, um caso de fraude de valores mobiliários.
A Carolina do Norte terá uma cadeira aberta depois que o republicano Thom Tillis desistiu de concorrer à reeleição. O democrata Roy Cooper, ex-governador e ex-procurador-geral do estado, enfrenta Michael Whatley, ex-presidente do Comitê Nacional Republicano e aliado de Trump sem experiência em cargo eletivo.