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PL pode ficar fora da aliança de Motta e perder comissões na Câmara; entenda

Hugo Motta ao lado de bolsonaristas. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O PL corre risco de perder prioridade na divisão das comissões permanentes da Câmara caso fique fora do blocão que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), articula sua reeleição em 2027. Mesmo com 121 cadeiras conquistadas nas eleições de 2026, a maior bancada individual, o partido pode ficar atrás de alianças mais numerosas na escolha dos colegiados.

A disputa envolve comissões estratégicas, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que analisa a constitucionalidade e a juridicidade de grande parte das propostas em tramitação. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) já demonstrou interesse em presidir o colegiado.

A federação formada por PT, PCdoB e PV, com 88 deputados, ameaçou deixar o blocão se o PL e o Novo entrarem na aliança. Em conversa com Motta, representantes da federação condicionaram sua permanência à exclusão das duas siglas.

Motta avisou que consultará os partidos que já apoiam sua candidatura antes de decidir sobre a entrada de novas legendas. O presidente da Câmara precisa conciliar os interesses das siglas que formam sua base com os partidos que ainda tentam obter espaço na composição.

Lula e Hugo Motta. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Blocos maiores ganham preferência na escolha dos colegiados

O Regimento Interno da Câmara determina que a composição das comissões respeite, tanto quanto possível, a proporcionalidade partidária. A regra considera o tamanho das bancadas e dos blocos parlamentares para distribuir vagas e definir a ordem de escolha das presidências.

Na prática, partidos reunidos em uma aliança somam seus deputados e ganham mais força para selecionar primeiro quais comissões querem comandar. Esse critério pode reduzir a influência do PL, caso a legenda negocie isoladamente.

O bloco articulado por Motta pode ultrapassar 360 deputados e reúne partidos de diferentes espectros, entre eles PT, Republicanos, MDB, PSD, União Brasil, PP e Podemos, além de outras siglas e federações. A dimensão da aliança lhe daria vantagem na disputa pelos colegiados mais cobiçados.

Se permanecer fora do grupo, o PL poderá cair para o fim da ordem de preferência na definição das presidências. Com isso, o partido enfrentará mais dificuldades para comandar comissões como a CCJ, Saúde, Educação, Finanças e Tributação e Segurança Pública.