
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou o médico Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan, de “jihadista” durante um comício eleitoral em Iowa. Muçulmano e integrante da ala progressista do Partido Democrata, El-Sayed lidera as pesquisas contra o republicano Mike Rogers.
Trump também afirmou que o Congresso teria de “arrumar um detector de metais especial para o Abdul” caso o democrata fosse eleito. Do palco, o presidente disse: “Se vocês votarem nesse lunático jihadista que quer destruí-los, é porque estão loucos”.
Levantamento do New York Times em parceria com o Siena College, divulgado nesta segunda (2), apontou El-Sayed com 53% das intenções de voto. Rogers tinha 42%, uma diferença de 11 pontos percentuais.
A eleição em Michigan integra a disputa de meio de mandato nos Estados Unidos, que definirá o controle do Congresso a partir de 2027. A cadeira no Senado se tornou uma das corridas acompanhadas nacionalmente pelos dois partidos.

Endosso de ex-adversária movimentou a disputa em Michigan
A corrida ganhou um novo elemento quando Hayley Stevens, derrotada por El-Sayed nas primárias democratas de agosto, declarou apoio a Mike Rogers. A decisão provocou críticas entre dirigentes do Partido Democrata.
Stevens e El-Sayed já haviam travado uma disputa marcada por divergências sobre um anúncio que associava a alta da inflação nos Estados Unidos ao apoio militar americano a Israel na guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, criticou a adesão de Stevens ao candidato republicano. Trump, por sua vez, elogiou a ex-candidata e afirmou que gostaria de vê-la no Partido Republicano: “Acho que isso pode acontecer”.
No mesmo comício, Trump descreveu Rogers como “o rosto da tradição americana” e voltou a atacar El-Sayed. “Não precisamos de comunistas, jihadistas ou da Irmandade Muçulmana”, disse, ao pedir que os eleitores “façam de conta que sou eu na cédula eleitoral”.