
É divertido ver que setores da esquerda e muita gente da direita concordam que Lula não deveria ter aceitado que a resistência digital antifascista se desse em torno de algo chamado de exército.
Leio agora que Merval Pereira, grande pacifista e antimilitarista, pensa a mesma coisa, ou seja, parte do PT e do lulismo pensa como Merval. O argumento é mais calhorda do que imbecil: falar de exército, dizem eles, é como militarizar a política.
É uma bobagem do tamanho de um elefante naquela festa que Flávio Bolsonaro organizou com Tarcísio, Pablo Marçal, Nikolas, Sóstenes, Coronel Zucco e sua turma para comemorar a vitória que virou derrota.
É uma bobagem porque o sentido do exército de Janones foi aquele mesmo, de tratar o enfrentamento ao fascismo como uma guerra, que acabou sendo. E exército, diria um professor de História de terceira série, não tem necessariamente que ser associado a ditaduras. Não se esforcem para ser colegiais e infantis.
Exércitos nos livraram do nazismo, incluindo o soviético, que invadiu Berlim e aniquilou Hitler. O mesmo Exército Vermelho libertou judeus presos em campos de concentração e guetos da Europa.

E a aula básica continua. Os pracinhas brasileiros, esnobados pela elite civil, lutaram pelas liberdades na Itália. Pertenciam a um exército.
Descontem as parcelas fascistas, que usaram homens fardados para instalar regimes autoritários (com a ajuda de fascistas sem farda), e não se enganem: não há povo sem exército. Não venham com a história da Costa Rica.
Um dos grandes feitos desta eleição foi tirar deles o controle quase absoluto da palavra e do sentido de exército. Tanto que eles tiveram que usar a palavra ‘tropa’, que pode ter aquele sentido que todos sabem.
(Vamos relembrar que a ditadura prendeu, torturou, perseguiu, cassou ou matou 6,5 mil militares.)