
A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos após a derrota na eleição provocou revolta entre militares e fortaleceu a aposta em uma candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Planalto em 2030. Integrantes das três Forças veem o governador reeleito de São Paulo como o nome mais competitivo para concentrar o eleitorado conservador no próximo ciclo, segundo a Folha de S.Paulo.
Oficiais da ativa e da reserva detonaram Flávio por deixar o país sem reconhecer o resultado das urnas e sem se dirigir aos eleitores. Um oficial-general comparou a atitude à de um comandante que abandona sua tropa, conduta que classificou como imperdoável na tradição militar.
Outro militar afirmou que a indignação ultrapassa a disputa ideológica e envolve valores como honra, lealdade, caráter e gratidão. Entre os entrevistados, também houve avaliação de que a decepção superou a imagem de perseguição política que Flávio tentou apresentar ao deixar o Brasil.
O antipetismo segue forte na chamada família militar, formada por ativos, inativos, parentes e pensionistas das Forças Armadas. Mesmo militares críticos a Jair Bolsonaro voltaram a votar no candidato do PL em 2026, diante da disputa contra o presidente Lula (PT).

Tarcísio ganha espaço entre oficiais das Forças Armadas
Tarcísio passou a receber apoio antecipado porque reúne identificação com o bolsonarismo e carreira militar. Capitão da reserva do Exército, ele deixou a farda em 2008, ingressou no serviço público e se projetou nacionalmente ao comandar o Ministério da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro.
Na avaliação de militares, o governador combina perfil conservador, experiência administrativa e trânsito por governos distintos. Antes de entrar na política, trabalhou nas gestões de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), além de ter comandado o estado mais rico e populoso do país desde 2023.
O histórico de Tarcísio no Exército também pesa na preferência. Ele se formou na Academia Militar das Agulhas Negras e no Instituto Militar de Engenharia, além de ter atuado em uma companhia de engenharia na missão de paz da ONU no Haiti. Um coronel da reserva contrapôs sua trajetória à de Jair Bolsonaro: “saiu pela porta dos fundos, o Tarcísio saiu pela porta da frente, passando em concurso público”.
Militares esperam que Tarcísio se afaste dos Bolsonaros na próxima disputa presidencial, embora o governador ainda evite confrontar seu principal padrinho político. A avaliação é que os setores mais radicalizados devem permanecer fiéis à família Bolsonaro, mas a maioria da família militar tenderia a aderir ao governador paulista em caso de rompimento.