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A força-tarefa do PT contra os boicotes e a perseguição bolsonarista

Apoiadores de Lula celebram a reeleição na Asa Norte, em Brasília
Apoiadores de Lula comemoram a reeleição na região do Bar do Pardim, na Asa Norte, em 25 de outubro. Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

O diretório do PT em São Paulo montou uma força-tarefa para apoiar pessoas que relatam perseguição, boicote econômico, violência e assédio no trabalho por terem declarado voto na reeleição do presidente Lula (PT). Em menos de 48 horas, o partido recebeu 42 denúncias formais e passou a discutir uma estratégia de atendimento jurídico gratuito às vítimas. Com informações do Metrópoles.

A iniciativa reúne o diretório estadual, o Grupo Prerrogativas, o setorial jurídico petista e advogados que atendem o partido. A campanha nas redes sociais busca receber relatos e orientar quem afirma ter sido alvo de retaliação após a eleição. As denúncias reúnem mais de um tipo de ocorrência em alguns casos.

O levantamento citado na reportagem registra 19 relatos de retaliação por divergência política, 17 de perseguição econômica, 15 de assédio verbal, ameaças e intimidações, 14 de demissões associadas ao posicionamento político e cinco de agressão física ou dano ao patrimônio. Os números se sobrepõem e, por isso, não correspondem a 70 denúncias distintas.

Nikolas Ferreira fala ao microfone na Câmara
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

A reação ocorre em meio à circulação de listas contra negócios e trabalhadores identificados como apoiadores do presidente. Em outra frente, deputados do PT pediram à PF e à PGR que investiguem a participação de Nikolas Ferreira (PL-MG) nas campanhas de boicote. O pedido busca esclarecer seu papel na divulgação das listas e não representa uma conclusão das autoridades sobre responsabilidade criminal.

“Defender quem sofre perseguição é também defender a democracia”, afirmou o deputado federal reeleito Kiko Celeguim, presidente do PT paulista. Ele disse que o partido não pode naturalizar a intolerância e os boicotes motivados por divergências ideológicas.

Segundo o advogado Michel Bertoni Soares, que atende o diretório, a resposta pode incluir ações por danos morais individuais e coletivos. Ele citou o exemplo de um vice-prefeito do interior que estaria promovendo boicote. O balanço apresentado não inclui as denúncias recebidas durante o fim de semana.

Entre os relatos estão o de um comerciante do interior paulista cujo estabelecimento teria sido atacado com blocos de concreto por um homem que ameaçava de morte eleitores de Lula. Em outra cidade, escolas infantis de dança incluídas em listas de boicote contrataram segurança particular para realizar apresentações com crianças.